Demóstenes sai do DEM, mas não abre mão de mandato no Senado

Senador é acusado de atuar como espécie de lobista do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso por uma operação da Polícia Federal

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) entregou a sua carta de desfiliação ao presidente nacional do DEM, José Agripino (RN). O documento foi levado por assessor de Demóstenes até o gabinete de Agripino no começo da tarde desta terça-feira. Ele, no entanto, não renunciará ao seu mandato no Senado.

iG Explica: Entenda a crise envolvendo o senador Demóstenes Torres
Poder Online: Demóstenes acerta desfiliação do DEM

AE
Ex-líder do DEM Demóstenes Torres em seu gabinete no Senado (27/3/2012)


No texto, Demóstenes argumenta que discorda das afirmações de que tenha se desviado do programa partidário da legenda. “Diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas”, disse. Ao fazer as afirmações, Demóstenes cita no ofício declarações de Agripino à imprensa de que seria inevitável instauração de processo para expulsão do senador goiano do partido.

Agripino nega que tenha havido prejulgamento. Segundo ele, foi dado a Demóstenes prazo de uma semana para defesa. "Coisa que ele nunca fez", destacou o presidente da legenda.

O Poder Online antecipou ontem à noite que congressista goiano se desfiliaria após a decisão de o partido abrir um processo de expulsão contra ele. Demóstenes é acusado de atuar como uma espécie de lobista do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Segundo a PF, Demóstenes aparece em gravações informando Cachoeira sobre a tramitação de projetos sobre jogos, cassinos e bingos. Além disso, nas conversas, foi possível saber que o senador recebeu uma geladeira e um fogão no valor de R$ 30 mil do bicheiro.

Demóstenes aguarda o pedido de apuração protocolado na Mesa Diretora do Senado pelo PSOL. A legenda quer que o Conselho de Ética investigue as denúncias de ligação de Demóstenes com Cachoeira, preso pela Polícia Federal por envolvimento com máquinas caça-níqueis em Goiás .

Ao iG , na tarde de segunda-feira, o presidente do DEM, José Agripino, afirmou que já existiam "evidências suficientes" para decidir sobre a saída do senador da legenda . O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, queria mais tempo para analisar o inquérito contra seu cliente.

“A nossa conversa não é com advogado. É com o Demóstenes. Trata-se de uma questão mais política do que jurídica”, disse Agripino.

Com Agência Brasil

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