Demóstenes é contra fusão e quer um novo presidente no DEM

Senador reeleito diz que tese de fusão com outro partido já foi enterrada e não é boa para ninguém

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Reeleito para seu segundo mandato com 2,15 milhões de votos, o senador Demóstenes Torres (GO) defendeu, nesta sexta-feira, eleição direta para escolher um novo comando para o seu partido, o DEM. Ele é contra a fusão com o PSDB, o PMDB ou PP, mas quer a saída do atual presidente do partido, o deputado Rodrigo Maia (RJ).

Agência Estado
Demóstenes Torres durante sessão da CCJ no Senado
Desde 2007 na presidência do DEM, Rodrigo Maia teve seu segundo mandato prorrogado em outubro passado porque o partido não queria fazer mudanças no meio do processo eleitoral. Há cerca de dois anos, houve uma tentativa para retirá-lo do presidência. O objetivo era reconduzir o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) ao comando da sigla.

Antes mesmo das eleições, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), deu início a uma série de conversas com o PMDB para implementar uma fusão entre os partidos. Ele também manteve negociações com o PSDB. Kassab, no entanto, preferia o PMDB, onde vê menos rivais em uma eventual eleição. Já os tucanos têm lideranças mais consolidadas no Estado de São Paulo - o próprio governador eleito Geraldo Alckmin, por exemplo.

Nesta quinta-feira, Kassab reuniu-se com Demóstenes e outros integrantes do DEM que foram bem sucedidos na eleição. Segundo o senador, a fusão foi descartada. No entanto, o grupo quer trocar o comando da sigla.

Confira os principais trechos da entrevista:

iG – O senhor é favorável a fusão do DEM com o PMDB ou PSDB?

Demóstenes – Essa tese foi enterrada. Já nós reunimos e decidimos que não dá certo e não é bom para ninguém.

iG – O que é preciso fazer então?

Demóstenes – O partido precisa aumentar o número de seus diretórios para disputar as eleições municipais, em 2012, com mais força.

iG – É preciso mudar o comando do partido?

Demóstenes - É normal haver uma mudança a fim de que haja esse crescimento municipal, estadual e até nacional. Não significa que haverá mudança em todos os diretórios.

iG – Vai ter uma convenção do partido?

Demóstenes – Tem de ter eleição mesmo, direta. Fazer eleições nos municípios, nos Estados e fazer eleição nacional.

iG – Seria logo?

Demóstenes – Isso depende da Executiva do partido. Não é vontade individual.

i G – Não é primeira vez que há uma tentativa para mudar o comando DEM depois de 2007.

Demóstenes – Antes era golpe. Agora é eleição.

iG – Esse movimento de fusão era justamente para provocar uma mudança no partido?

Demóstenes – Não posso afirmar. Não sei o que o prefeito Gilberto Kassab queria. Eu sei que é preciso o partido se fortalecer. Ou se fortalece ou vira nanico. O DEM é ainda o quarto maior partido do Brasil.

iG – O senhor perguntou para o prefeito Kassab sobre a fusão com o PMDB?

Demóstenes – Não perguntei porque esse assunto foi descartado logo no início da reunião.

iG – Quem participou?

Demóstenes – Eu, ele, Kátia Abreu, Jorge Bornhausen, o vice-governador eleito de São Paulo Afif Domingos e o deputado Indio da Costa (candidato a vice na chapa encabeçada pelo tucano José Serra).

iG – O presidente Rodrigo Maia não participou?

Demóstenes – Eles vão conversar no fim de semana, mas já tinham conversado antes também.

iG – Por que não é boa a fusão com o PMDB?

Demóstenes – Nem com o PSDB nem com PMDB. Para que acabar com o partido? Nós temos aí um naco importante do eleitorado conservador que nós, do DEM, representamos bem.

iG – Mas há uma dificuldade do partido em assumir isso.

Demóstenes – Eu não tenho.

iG - É administração de Rodrigo Maia que está sendo questionada?

Demóstenes – Não vou fulanizar esse assunto.

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