DEM encontra Alckmin para discutir apoio a Serra

Tradicional aliado dos tucanos, o DEM ameaça ir para o lado do PMDB, que tem como pré-candidato Gabriel Chalita

iG São Paulo |

selo

Os líderes do DEM se encontraram na segunda-feira com o governador Geraldo Alckmin para discutir o apoio à candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo. O tucano também tem de vencer a prévia do PSDB marcada para 25 de março, mas as lideranças do partido já dão como certo que ele será o candidato na eleição.

Leia também: Alckmin pede a Aníbal moderação nas críticas a Serra

AE
José Serra e governador Geraldo Alckmin em convenção do PSDB em São Paulo (7/5/2011)

Tradicional aliado dos tucanos em São Paulo, o DEM ameaça agora apoiar o PMDB, do deputado Gabriel Chalita. Nesta terça-feira, há um almoço na casa do presidente do DEM, José Agripino Maia, com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), onde será discutida uma coligação em São Paulo.

Para fechar a aliança com os tucanos, o DEM pede a indicação do vice-prefeito e quer contrapartidas, ou seja, o apoio do PSDB a candidatos do partido em outras capitais, como Salvador e Recife.

Os tucanos querem segurar as negociações sobre a vice. Pretendem esperar posição do Tribunal Superior Eleitoral sobre o tempo de TV no horário eleitoral de outro aliado, o PSD, do prefeito Gilberto Kassab. A sigla vai pleitear na Justiça mais tempo na propaganda gratuita, depois do julgamento do pedido de maior participação no Fundo Partidário.

Favorito

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com 51 líderes da legenda mostra que 20 deles pretendem escolher Serra como candidato, ou seja, mais da metade dos 36 tucanos que declararam o voto. Há 58 diretórios zonais do PSDB pela capital paulista, mas 15 se recusaram a dizer qual é o preferido e outros sete não foram localizados.

Atrás de Serra, empatados na preferência dos presidentes tucanos, estão o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado Ricardo Tripoli . Cada um têm oito votos de dirigentes. O voto dos presidentes dos zonais não reflete necessariamente a preferência da militância: 20 mil filiados ao partido estão aptos para votar na prévia, mas a cúpula do partido estima que, no máximo, 5 mil compareçam.

O levantamento, no entanto, serve como indicativo de qual candidato tem a preferência da máquina partidária, que tem influência entre os eleitores. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo informou em janeiro, muitos filiados não têm relação com o PSDB e foram cadastrados a pedido dos presidentes dos zonais. Pela análise do mapa dos diretórios, Serra tem mais votos na região leste, onde está a maioria dos filiados.

Serra se beneficiou do apoio dos secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente), que abriram mão da prévia em favor do ex-governador no final do mês passado. A transferência de apoio nos diretórios foi quase automática. "Muita gente ligada ao Bruno ficou frustrada com a desistência. Acredito que esses filiados nem votariam mais, mas há um apelo para mobilizar a militância", conta Eduardo Odloak, do zonal da Mooca.

Desistências:
- Bruno Covas desiste de pré-candidatura e apoia Serra
- Ao se retirar de prévias por Serra, Matarazzo ataca PT

Ricardo Tallarico, presidente do diretório de Vila Sabrina, votaria em Matarazzo antes de Serra entrar. "É o melhor para o partido, já que é ele que tem chances de ganhar", declarou. "O Serra é o Serra. Aqui na minha região ele vai matar a pau", afirmou Celso Elias, do diretório de Jaçanã. "Eu não gosto do Serra e o Serra não gosta de mim. Mas essa é uma questão pessoal, e eu sou PSDB. Ele é o único candidato que tem reais chances de ganhar as eleições", disse Avelazio Jacobina, de Cidade Tiradentes.

O governador Geraldo Alckmin defende a prévia, mas aliados de Serra ficaram insatisfeitos com o fato de ele ter de disputar. A avaliação, no entanto, não é consensual entre serristas. Uma ala avalia que, sem risco de derrota, a disputa mostra humildade e respeito com a sigla.

Parte dos votos declarados a Serra reflete o apoio recebido por vereadores e deputados nas últimas semanas. "O nome do Serra não vem da militância, mas ele tem o apoio de muitos parlamentares que têm influência sobre a militância", disse Israel Baia da Silva, de Sapopemba. Tucanos que acreditavam que a disputa interna seria uma oportunidade de renovação do PSDB decidiram reavaliar o quadro.

A participação de Serra também fortaleceu um grupo contrário a sua candidatura, que decidiu intensificar o trabalho de mobilização da militância para tentar derrotá-lo no dia 25. "O pessoal vai dizer que Serra largou a Prefeitura na mão de um irresponsável. O Kassab está bem queimado", disse Léo Onoda, presidente do diretório zonal de Jaraguá, que apoia Aníbal.

Vídeo: Dirigente do PSDB dá bronca pública em Serra

Valdir Campos Costa, do diretório de Bela Vista, disse estar "fechado" com o Tripoli desde o início. "O PSDB tem bons quadros, mas o partido precisa se renovar. Não dá para ficar refém de Serra-Geraldo, Serra-Geraldo".

Há críticas também pela entrada tardia de Serra na prévia , marcada anteriormente para 4 de março. "Serra deveria ter entrado lá atrás, não sido imposto de cima para baixo no último momento", disse Dilmário Viana, do Conjunto José Bonifácio, que vai votar nele. Para Edison André, de Capela do Socorro, as coisas ficaram "meio no ar" com a entrada de Serra na disputa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com Agência Estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG