DEM encolhe para seu menor patamar em quase duas décadas

Número de governadores, senadores e deputados do partido despencou

Nara Alves, iG São Paulo |

Criado com base na promessa de renovar o antigo PFL, o DEM viu seu tamanho encolher para o menor patamar em quase duas décadas. Em um cenário reforçado pela migração de quadros para o PSD do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, a sigla deve ver sua bancada diminuir para pelo menos 34 deputados federais, número que chegou a 105 no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 1998 a 2002. Leia também: Bornhausen diz que mensalão do DEM é que acabou com partido

No Senado, o partido contava 20 cadeiras na legislatura iniciada em 2006. Na eleição do ano passado, a bancada diminuiu para cinco senadores e agora tem apenas quatro, com a migração de Kátia Abreu (GO) para o PSD. O número pode cair para três caso o senador Jayme Campos (MT), que demonstra interesse na nova legenda, também decida sair.

Nos Legislativos estaduais, o PFL chegou a contar 168 deputados e, já rebatizado como DEM, saiu da eleição de 2010 com 78. Agora, a legenda deve perder pelo menos oito dessas cadeiras para o novo partido. O número, entretanto, será bem maior se forem confirmadas projeções de líderes regionais como a deputada Nice Lobão, do Maranhão, que promete levar consigo para o PSD cinco deputados estaduais.

No Executivo, o DEM chegou a comandar sete Estados brasileiros, entre 1998 e 2002. Na eleição seguinte, passou a ter quatro governadores e, após mais quatro anos, apenas um. No ano passado, conseguiu eleger Rosalba Ciarlini (RN) e Raimundo Colombo (SC), mas este último já comunicou sua decisão de migrar para o PSD . No passado, a legenda chegou também a controlar quatro prefeituras de capitais e agora perderá a única cidade que ainda administra, já que Kassab levará consigo o posto de prefeito de São Paulo.

Desde que a criação do PSD foi anunciada, o DEM já perdeu para o novo partido pelo menos 20 ocupantes de cargos no Legislativo e no Executivo. A eles, se somam nomes como o ex-senador Jorge Bornhausen (SC), que confirmou nesta sexta-feira a decisão de deixar a sigla após seu filho, o deputado licenciado Paulo Bornhausen (SC), anunciar a migração para o PSD .

Pelas contas feitas por seus próprios dirigentes, o DEM perderá pelo menos um terço de seus quadros políticos com a criação do partido de Kassab. "A forma de enfrentar isso é repor esses quadros", minimizou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).

Renovação

Para reverter as perdas, ACM Neto investe no mesmo discurso de renovação que pautou, em 2007, o nascimento do DEM. Na época, o partido decidiu trocar o nome do antigo PFL e colocar quadros mais jovens na direção, em um esforço para fazer frente à perda de espaço nas urnas em 2006. Naquele ano, o partido elegeu apenas um governador, José Roberto Arruda, que mais tarde se tornaria protagonista do escândalo do mensalão no Distrito Federal.

Além de jogar o encolhimento do partido como um todo sobre o antigo comando da legenda, ACM Neto responsabiliza nomes como Jorge Bornhausen pelo fracasso dos esforços para renovar o partido. "O nascimento do DEM foi mais um produto de uma ideia equivocada de Jorge Bornhausen.

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