DEM avança na negociação por chapa única à presidência da sigla

Chapa única, no entanto, depende da negociação em torno do espaço no comando da sigla

Nara Alves, iG São Paulo |

Em reunião realizada nesta segunda-feira na capital paulista, lideranças do DEM avançaram na discussão da montagem de uma chapa única para disputar a presidência da legenda. Setores da sigla ligados ao atual presidente Rodrigo Maia (RJ) dizem ter avançado na articulação para emplacar o senador José Agripino Maia (RN) na vaga. O grupo faz frente à ala ligada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que vinha tentando viabilizar a indicação do senador Marco Maciel (PE).

A um mês da convenção nacional que definirá o novo comando partidário, o DEM tenta evitar um racha que poderia resultar no enfraquecimento político da legenda. A candidatura única de Agripino, no entanto, depende da formação da chapa para a Executiva Nacional. Além da presidência, outros cargos menos cobiçados também estão em jogo, como o comando do conselho político e a secretaria nacional.

“O encontro foi confluente ao esforço para garantir o futuro do partido. Vamos trabalhar para garantir a unidade”, afirmou o deputado ACM Neto (BA), líder da bancada da legenda na Câmara. “A partir de amanhã teremos conversas dos dois lados para tentarmos chegar a uma chapa única para a Executiva Nacional”.

O encontro teve a participação de Agripino e dos ex-senadores Jorge Bornhausen (SC) e Marco Maciel. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente estadual do DEM, ficou de fora. Nos bastidores, sua saída do partido é dada como certa independente do resultado da convenção no próximo dia 15 de março.

Efeito Kassab

Diante da movimentação de Kassab em torno de uma possível saída do DEM, deputados, prefeitos e vereadores que devem suas eleições ao prefeito paulista devem iniciar o que poderia se configurar como uma debandada do DEM. O prefeito negocia com o PMDB do vice-presidente Michel Temer e é alvo também do PSB. Além disso, ganhou força nos bastidores a versão de que ele poderia estudar a criação de um novo partido. 

Para não perderem seus cargos, no entanto, os interessados em deixar o DEM terão de buscar uma saída jurídica. Isso porque a lei eleitoral prevê que o mandato é do partido, e não do político. Entre as soluções jurídicas estão aguardar a aprovação da “janela” que permitiria a transferência entre partidos sem prejuízo dos mandatos. Outra alternativa estudada seria a criação de um novo partido. De qualquer forma, os dois lados da disputa já se armam para enfrentar uma guerra jurídica.

    Leia tudo sobre: kassabdemconvençãopmdb

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG