Embora ex-tesoureiro diga que não tem planos de concorrer, aprovação de sua volta ao PT pode abrir margem para candidatura

Decidido a retornar aos quadros do PT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares já encontra no partido até mesmo quem o apoie em um eventual plano de disputar as eleições municipais do ano que vem. Delúbio, que tenta desde 2009 convencer os antigos colegas a aceitarem sua refiliação, poderá finalmente obter uma resposta do comando partidário no fim deste mês.

Após várias tentativas frustradas, o caso de Delúbio poderá ser incluído na pauta de discussões da próxima reunião do diretório nacional do PT, marcada para os dias 29 e 30 de abril, em Brasília. Pivô do escândalo do mensalão, que marcou a maior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , o ex-tesoureiro quer autorização para apresentar uma ficha de filiação ao diretório municipal de Goiânia, onde montou sua base política.

AE
Delúbio tem dito a aliados que não planeja se candidatar, mas afirmações são vistas como medida preventiva para assegurar refiliação
Dentro do partido, é praticamente consenso que, se o assunto de fato entrar na pauta, Delúbio não deve ter dificuldades para obter apoio da maioria dos 81 membros do diretório nacional. Desde que sua refiliação ocorra pelo menos um ano antes da eleição, ele poderá se apresentar ao partido como possível candidato a uma vaga na Câmara Municipal de Goiânia.

“Se o diretório aprovar a refiliação do Delúbio, ele passa a ter os mesmos direitos de todos os filiados. Isso inclui o direito de votar e ser votado. E, tendo apoio, ele tem todo direito de sair candidato a vereador”, afirma Paulo Ferreira, um dos defensores da volta do ex-tesoureiro e seu sucessor na Secretaria de Finanças do partido após a eclosão da crise 2005.

Por enquanto, Delúbio tem dito a aliados que não quer se lançar candidato. Internamente, entretanto, as declarações são entendidas como uma espécie de medida preventiva. A ideia seria evitar que a repercussão sobre o assunto interfira em seus planos de obter aval do diretório para a refiliação. Na avaliação de alguns petistas, este foi um dos fatores que ajudaram a esvaziar a última tentativa de Delúbio de voltar à sigla, em 2009.

Na época, Delúbio cogitava concorrer a uma vaga de deputado federal na eleição de 2010. No entanto, prevaleceu a avaliação de que o tema poderia provocar uma repercussão negativa em um momento decisivo para o PT - o então presidente Lula tentava eleger a sucessora Dilma Rousseff . Assim, dirigentes petistas acabaram convencendo o ex-tesoureiro a retirar o pedido.

Riscos

Há algumas semanas, a revelação de um novo relatório da Polícia Federal sobre o mensalão ajudou a alimentar em alguns setores petistas a ideia de pedir mais tempo ao ex-tesoureiro. Passada a repercussão inicial documento, entretanto, petistas dizem não enxergar motivos suficientes para evitar a apreciação do assunto na reunião marcada para o fim deste mês. Ainda assim, o assunto ainda não entrou oficialmente na pauta do diretório nacional.

Um dos motivos é o afastamento do presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, que se licenciou por orientação médica. A expectativa era de que o dirigente voltasse ao trabalho após a Semana Santa, mas o comando interino da sigla ainda não teve a confirmação de uma data para o retorno.

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