De olho na classe média, PT sugere oposição leve a Alckmin

Em documento, Executiva Estadual do partido avaliou o resultado das eleições deste ano

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em texto aprovado ontem pela Executiva Estadual, o PT de São Paulo defende uma mudança na forma de fazer oposição ao PSDB no Estado, com o objetivo de conquistar setores da classe média refratários ao partido de olho nas eleições municipais de 2012.

“Em São Paulo, somos um partido de oposição, temos que valorizar nossas bandeiras, nossa plataforma programática, mas temos que assumir um papel de oposição mais propositiva no Estado, que dialogue prioritariamente com a sociedade paulista”, diz o documento intitulado Eleições 2010: Avanços e Desafios .

A reflexão acontece no rastro das declarações da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT), que já disse estar disposta a estender a mão para a oposição e firmar uma nova forma de relacionamento democrático no País.

Ao longo dos 16 anos em que o PSDB governa o Estado, o PT sempre apostou em uma estratégia de oposição calcada mais em ataques e acusações do que em propostas que afetem diretamente a vida dos eleitores.

Agora, o partido investe na tese de que, além de ineficaz - já que os tucanos têm maioria na Assembleia Legislativa e barram todas tentativas de investigação parlamentar - a estratégia afasta setores da classe média paulista francamente simpáticas aos tucanos.

“O PT tem que entender a resistência significativa que se instaurou junto aos setores médios da sociedade brasileira. Ela é real e ficou bastante evidenciada mais uma vez nessas eleições de 2010. Em São Paulo, esse fator teve mais peso que em outras regiões do Brasil, devido à existência de uma classe média histórica mais extensa”, diz o texto.

Na avaliação petista, esta classe média paulista já esteve aliada ao ademarismo, malufismo, quercismo, chegou a flertar com o PT mas caiu nos braços do PSDB.

Com base nas pesquisas, o documento lembra que Dilma chegou a atrair boa parte deste segmento, chegando a colocar 10 pontos percentuais de vantagem sobre José Serra (PSDB) nas pesquisas de opinião, mas se voltou contra o partido depois das denúncias de corrupção envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. De acordo com o PT, o caso Erenice trouxe à tona o escândalo do mensalão, derrubou Dilma e arrastou o candidato petista ao governo paulista, Aloizio Mercadante.

“Quando surgiu o caso Erenice, todas as crises enfrentadas pelo nosso partido ‘foram ressuscitadas’ e a oposição criou o grande fato da conjuntura política eleitoral, gerando o segundo turno da eleição nacional. Em São Paulo, o mesmo fato freou o crescimento da candidatura de Mercadante, impedindo a construção do segundo turno da eleição para governador. Muito mais do que a falsa polêmica sobre o aborto, o fato que interferiu de forma definitiva na conjuntura política eleitoral foi o ‘caso Erenice’ e a recuperação das crises vivenciadas pelo PT em 2005 e 2006”, diz o documento.

Embora tenha minimizado a importância do aborto e temas religiosos no resultado do primeiro turno nacional, o PT avalia que a campanha subterrânea difundida por meio da internet trouxe riscos e defende mudanças na legislação para evitar que os ataques sujos sejam incorporados à prática eleitoral.

“O sistema eleitoral brasileiro correu sérios riscos. Se fosse vitorioso o método da disputa eleitoral alicerçado no anonimato, na desconstrução de imagens, da propagação de mentiras, as eleições futuras seriam construídas no ‘vale tudo’, na falta de ética, colocando em risco toda a regulamentação eleitoral e as instituições organizadoras dos pleitos”, diz o texto.

Para fazer uma oposição propositiva e atrair a classe média paulista, o PT sugere a construção de um programa de governo que incorpore temas concretos como saúde, segurança, trânsito e qualidade de trabalho. Além disso o partido aposta em propostas sobre meio ambiente e juventude que têm como foco o eleitorado de Marina Silva (PV) no Estado.

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