De olho em 2014, Aécio age para montar rede de apoio em Minas

Ex-governador investe desde a última eleição em acenos a potenciais aliados e no rateio de cargos na gestão Anastasia

Denise Motta, iG Minas |

Enquanto os dirigentes tucanos analisam separadamente a força do PSDB de Minas e de São Paulo, o senador Aécio Neves (MG) age silenciosamente desde antes das eleições do ano passado, no sentido de construir uma forte rede a favor dele, dentro e fora do PSDB.

Uma ação nesse sentido é a recente nomeação do médico e ex-senador pelo Amapá, Papaléo Paes, para ser conselheiro de uma estatal mineira, a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig). Pelo cargo, ele recebe R$ 6,6 mil, para participar de pelo menos uma reunião mensal em Belo Horizonte, a 3.300 quilômetros de Macapá. Por meio de requerimento, o bloco de oposição, “Minas Sem Censura”, questiona na Assembleia Legislativa a nomeação de Papaléo.

Agência Estado
Senador participou ativamente da montagem do secretariado de Anastasia
Essa movimentação de Aécio tem desgastado politicamente o governador Antonio Anastasia (PSDB), que abriga no governo políticos de vários partidos que, em 2014, podem estar com Aécio. De perfil essencialmente técnico, o governador de Minas se viu obrigado a nomear políticos para cargos de primeiro escalão e técnicos para as cadeiras de subsecretários. Aécio participou ativamente da montagem do secretariado de Anastasia, relatam assessores do executivo mineiro. Com isso, houve espaço garantido para aliados antigos de Aécio como o PTB, PSB, PDT, DEM, PP e PV.

Com exceção do PV, Aécio mantém boa interlocução com os caciques de todas estas legendas: Roberto Jefferson (PTB), Eduardo Campos e Ciro Gomes (PSB), Carlos Lupi (PDT), Rodrigo Maia e ACM Neto (DEM), além de Francisco Dornelles (PP). No caso de Dornelles, a relação chega a ser familiar, pois ele é sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves, avô de Aécio.

O PPS também foi contemplado com um cargo de primeiro escalão, a secretaria de Gestão Metropolitana, criada neste mandato. Mas o titular da pasta, deputado federal Alexandre Silveira, planeja ir para o PSD. O PPS possui ainda espaço na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

“Eu sugeri ao Aécio há alguns dias uma aproximação com o PSD. Não um convite para vir, porque a posição dele é continuar no PSDB. Isso é posição tomada, não acredito numa mudança. Mas ele pode atrair o PSD. O PSD pode se aliar futuramente a um projeto do PSDB”, avalia Silveira, o nome do PSD no governo Anastasia.

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