Cúpula do DEM ouve explicações de Demóstenes

Membros da Executiva Nacional afirmam que lideranças tentam convencer senador a pedir o afastamento do partido

Agência Brasil |

O presidente do Democratas (DEM), José Agripino Maia (RN), terá nesta segunda-feira "uma conversa definitiva" com o senador e ex-líder do partido no Senado, Demóstenes Torres (GO), para ouvir dele as explicações sobre as denúncias de envolvimento em negócios ilícitos conduzidos pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A finalidade é encaminhar as explicações à Executiva Nacional para que o órgão decida sobre a permanência de Demóstenes na legenda .

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AE
Ex-líder do DEM Demóstenes Torres nesta terça-feira em seu gabinete no Senado

Participam do encontro também o presidente do diretório regional de Goiás, deputado Ronaldo Caiado, e o líder do partido na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Segundo o presidente do partido, não havia até o fim da manhã nem hora nem local para a reunião.

A assessoria de José Agripino informou que o senador Demóstenes Torres já comunicou que está pronto para dar as informações ao partido sobre o caso. Perguntado sobre uma eventual abertura de processo de expulsão de Demóstenes pela Executiva Nacional, José Agripino, disse que é preciso antes ouvir o parlamentar.

"Temos que ouvir as explicações dele. Não vou antecipar uma conversa que nem tive (com Demóstenes Torres). Seria uma falta de habilidade de minha parte antecipar os rumos de uma conversa que ainda não tive", disse.

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Membros da Executiva Nacional disseram que a cúpula do DEM tenta convencer o senador goiano a tomar a iniciativa de pedir o afastamento do partido. Isso evitaria um desgaste ainda maior de sua parte e também do Democratas que se veria obrigado a abrir o processo de expulsão. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente por Agripino Maia.

Para o secretário-geral do Democratas, Ônyx Lorenzoni (RS), a situação de Demóstenes é insustentável. À Agência Brasil, ele disse que "não tem outra alternativa (internamente) que não seja abrir um processo ético" pela Executiva Nacional.

Caso a Executiva Nacional decida abrir processo de expulsão, será designado de imediato um relator para o caso e o senador terá regimentalmente oito dias para apresentar defesa. Feito isso, o relator do processo dará, na reunião da Executiva Nacional, o parecer que será posto em votação, informou Ônyz Lorenzoni.

Em conversa com a Agência Brasil, alguns membros da Executiva se disseram "perplexos" com as recorrentes denúncias de participação de Demóstenes Torres em um suposto esquema de exploração jogos ilegais, comandado por Carlinhos Cachoeira. É o caso, por exemplo, do ex-senador Heráclito Fortes (PI). "Estou perplexo e muita gente também, mas precisamos ouvir o Demóstenes", disse o ex-parlamentar.

Heráclito Fortes ressaltou que, apesar do direito de resposta que deve ser garantido ao senador, a decisão da Executiva Nacional terá que ser tomada com rapidez. "O momento exige essa rapidez", disse ele.

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