Cúpula com países árabes é adiada e presença de Dilma é incerta

3ª Cúpula América do Sul-Países Árabes teria início no próximo dia 12, no Peru, mas foi adiada para abril por conta dos conflitos

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O adiamento da 3ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), por causa dos conflitos deflagrados na região nas últimas semanas, pode comprometer a participação da presidenta Dilma Rousseff no encontro, que deveria ter início no dia 12 deste mês, em Lima, no Peru. O acirramento da situação nos países árabes, sobretudo no Egito – onde há quase duas semanas milhares de pessoas estão nas ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak – fez com que a data fosse remarcada para 20 de abril.

A secretaria de imprensa da Presidência informou ao iG que Dilma ainda mantém a intenção de participar da cúpula, mas que tudo agora depende da agenda da presidenta nos próximos meses.

A previsão era que Dilma estreasse na cúpula nos dias 15 e 16 de fevereiro. Ela falaria para empresários e líderes políticos. O encontro serviria como teste para a presidenta para estreitar a relação econômica com os países árabes. Um dos acordos que seriam fechados prevê o livre mercado do Brasil com a Jordânia, os Emirados Árabes, Omã e Marrocos. Por enquanto, a organização da Aspa mantém a orientação para que Dilma ocupe um lugar de destaque no evento, discursando em dois momentos.

O encontro é visto pelo Itamaraty como uma oportunidade de as lideranças internacionais conhecerem as propostas da presidenta que acaba de assumir o mandato. Atualmente o Brasil tem acordos de livre comércio com o Egito, a Síria e a Palestina. Nos últimos cinco anos, dobraram os investimentos multilaterais entre os países sul-americanos e os árabes, saltando de US$ 10,5 bilhões, em 2005, para US$ 19,54 bilhões, em 2010. Os acordos são fechados em bloco, formalizando as relações do Mercosul com os países árabes.

Dilma também faria reuniões com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Juan Manuel Santos (Colômbia).

No total, 33 países integram a Aspa. Dos 22 países árabes, seis passam por um momento delicado na política interna, como o Egito, a Jordânia, o Líbano, a Palestina, a Síria e o Iêmen. Foi devido a essa turbulência que os líderes políticos da região pediram à organização da cúpula da Aspa para adiar sua realização.

Até o adiamento da cúpula, os negociadores planejavam divulgar, depois das reuniões, uma nota conjunta em defesa do ambiente democrático e do bem da população. O caso da criação do Estado palestino também teria destaque em apoio à autonomia e defesa da região. A medida seria uma resposta à crise política no Egito e nos demais países.

Na lista de prioridades da Aspa estão ainda a preocupação com os efeitos da alta do preço dos alimentos, a falta de água nos países árabes e os problemas gerados por causa da desertificação.

*Com informações da Agência Brasil

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