Críticas e protestos marcam novela sobre futuro de Kassab

Em processo para montagem de nova sigla, prefeito viveu clima típico de inferno astral

Nara Alves, iG São Paulo |

O DEM realiza sua convenção nacional nesta terça-feira, em Brasília, à espera de um desfecho para a longa novela  protagonizada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Em meio ao processo para a montagem política e jurídica de sua nova sigla, que em tese poderia se fundir no futuro ao PSB, Kassab enfrentou semanas típicas de um inferno astral, sob influência de inimigos ocultos e aflições.

Em meio às negociações para a criação do PDB, a aprovação do prefeito chegou a 55%. Na metade de seu segundo mandato, Kassab amarga uma gestão sem grandes bandeiras. A única marca de sua administração é a Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2007.

Agência Estado
Protestos contra medidas como o aumento da tarifa de ônibus se somaram às turbulências enfrentadas pelo prefeito nas negociações para criação de nova sigla

A esse quadro, se somaram semanas de protestos na capital paulista. Embora a administração tenha avisado previamente sobre o aumento da tarifa do ônibus, que subiu para R$ 3, o prefeito vem enfrentando diversas manifestações de estudantes. No último protesto, manifestantes foram até o apartamento onde o prefeito mora e, ali, tacaram fogo em um boneco que vestia uma máscara simulando o rosto de Kassab.

Ainda na seara administrativa, os primeiros meses do ano foram marcados pelas fortes chuvas, com sucessivos problemas em semáforos e enchentes. Um prato cheio para a oposição. “Kassab tem um problema de gestão muito grave. Ele está deixando escapar a oportunidade de melhorar essa cidade, que tem R$ 35 bilhões no Orçamento de 2011”, diz o vereador José Américo (PT).

Na lista de críticas petistas estão, além do aumento da tarifa do ônibus, as promessas que até agora não foram cumpridas. “Seis corredores de ônibus, sete piscinões, três hospitais, creches não saem do papel. A prefeitura não limpa 30% dos 3 mil quilômetros de galerias pluviais. A manutenção da cidade está muito ruim”, completa.

O próprio prefeito busca no Legislativo justificativas para o andamento de seus projetos. "A Câmara tem seu timing . Esta legislatura tem contribuído de uma maneira extraordinária para a cidade de São Paulo. Qualquer projeto tem seu tempo de maturação. Esta é a essência da democracia, o Legislativo debate, aperfeiçoa. Portanto, é natural", disse hoje o prefeito, que até agora evita falar abertamente sobre seus planos de deixar o DEM .

AE
Kassab desviou novamente de perguntas sobre novo partido
A aproximação de Kassab com a base aliada de Dilma causou também estranheza no PT. Para alguns petistas, a migração teria por trás a atuação do tucano José Serra, padrinho político do prefeito e candidato derrotado ao Palácio do Planalto. O clima de desconfiança também passou a alimentar a resistência de alguns setores da base governista à proposta de fundir o novo PDB ao PSB.

Fogo amigo

Porém, Kassab não é alvo apenas dos tradicionais adversários. Em meio a protestos, ao declínio na aprovação e às críticas da oposição sobre sua administração, o prefeito resolveu articular a composição do PDB. O primeiro e maior obstáculo aos planos do prefeito paulista foi o próprio DEM, comandado por seus desafetos políticos Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA). O partido corre atrás de dissidentes para convencê-los a ficar. Conta, inclusive, com a ajuda de tucanos contra a manobra de Kassab para evitar uma debandada que poderia culminar no enfraquecimento da sigla. Como resultado, vieram as críticas de membros do seu próprio partido.

O deputado Pauderney Avelino (AM), escolhido vice do senador José Agripino Maia (RN) na presidência do DEM, acredita que a saída de Kassab irá fortalecer a legenda. “O partido sai de uma crise interna fortalecido. Foi uma luta. Não é fácil passar por uma situação dessas estando na oposição. A situação do Kassab ficou insustentável (...) Acredito que a saída dele pode gerar uma paz interna duradoura”, afirma o deputado. Para Avelino, não haverá uma debandada. “Eles não se sentirão confortáveis se pairar alguma dúvida sobre a situação deles. Não é simples burlar a lei de fidelidade partidária.”

A movimentação de Kassab para fora da órbita tucana e em direção ao governo Dilma desagradou não só ao DEM como ao PSDB. O presidente tucano, Sérgio Guerra (PE), lamentou a migração do prefeito. Para ele, isso representaria um enfraquecimento da oposição.

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