Crise Palocci escancara desarticulação política do governo Dilma

Perdas no Congresso se acumulam desde que foram divulgadas as primeiras denúncias contra ministro

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A crise em torno do ministro Antonio Palocci jogou luz sobre a falta de articulação política no governo. Após a revelação de que o chefe da Casa Civil multiplicou seu patrimônio por 20, a presidenta Dilma Rousseff passou a sofrer derrotas no Congresso, sobretudo na Câmara dos Deputados.

Com Palocci fragilizado, integrantes da base aliada começaram a se digladiar com mais ênfase, algo que já vinha ocorrendo nos bastidores. No PT, a briga principal é entre o líder do governo, Cândido Vaccareza (PT-SP), e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O primeiro até hoje não engoliu a derrota sofrida pelo segundo.

No começo do ano, Vaccarezza era o favorito para ocupar a presidência da Câmara. Maia, no entanto, aproveitou-se de insatisfações de setores do PT com a formação do ministério de Dilma e conseguiu vencer a disputa dentro da bancada. Como prêmio de consolação, Vaccarezza foi mantido na liderança do governo.

De lá para cá, Maia e Vaccarezza nunca mais se entenderam. O resultado é que faltou articulação na votação do Código Florestal, em que o governo acabou derrotado. O líder governista tentou responsabilizar o PMDB. Contudo, dentro do Palácio do Planalto, há quem diga que o próprio Vaccarezza fez corpo mole para prejudicar o governo.

Outro que enfrenta divergências com Vaccarezza é o líder do PT, Paulo Teixeira (SP). Apesar de serem do PT paulista, os dois são de correntes diferentes. Vaccarezza é ligado a Novos Rumos, que hoje atua em sintonia com a majoritária CNB (Construindo um Novo Brasil). Teixeira pertence à corrente Mensagem ao Partido, a segunda mais forte do PT.

AE
Briga entre o presidente da Câmara (foto) e o líder Cândido Vaccarezza alimentou desarticulação no Congresso
No Senado, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), também foi responsabilizado pelas derrotas sofridas na semana passada, quando duas medidas provisórias deixaram de ser votadas. Agora, a presidenta terá de reeditá-las. Até assessores próximos de Jucá não entenderam sua estratégia na votação.

PMDB tenta ganhar espaço

Diante do “fogo amigo” do PT contra Palocci, o PMDB tenta ganhar espaço declarando apoio à manutenção do chefe da Casa Civil. Para os peemedebistas, é melhor ter Palocci na Casa Civil do que um outro petista fortalecido. A avaliação do PMDB é que, com Palocci vulnerável, é mais fácil ver atendidos os pedidos de cargos no segundo escalão.

O PMDB, no entanto, é o maior defensor da saída do ministro Luiz Sérgio da Secretaria de Relações Instituições, pasta responsável oficialmente pela articulação política. Foi por intermédio de peemedebistas que surgiu o apelido “Luiz, o Garçom”. Segundo peemedebistas, Luiz Sérgio “só anota pedidos”, já que quem decide é Palocci e Dilma.

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