Crise leva Dilma a discutir possível reforma ministerial

Parecer do procurador ampliou sobrevivência de Palocci, mas presidenta já mapeia nos bastidores possíveis trocas na Esplanada

Ricardo Galhardo, iG São Paulo, e Adriano Ceolin, iG Brasília |

A decisão da Procuradoria-Geral da República de arquivar os pedidos de investigação contra o ministro Antonio Palocci ampliaram a sobrevivência do chefe da Casa Civil no cargo, mas não afastam definitivamente o risco de uma reformulação na Esplanada dos Ministérios. Preocupada com o agravamento da crise, Dilma tem feito reuniões e consultas apontando para uma possível reforma ministerial antes de completar seis meses no cargo.

A presidenta tem dito a interlocutores que, caso precise de fato tirar Palocci do cargo, será obrigada a modificar a configuração do núcleo duro do governo. Assim, surgiria a possibilidade de montar um ministério “para governar” já que o atual primeiro escalão seria ainda um produto das imposições políticas das diferentes forças que apoiaram Dilma na eleição do ano passado.

Dilma tratou do assunto em pelo menos duas reuniões realizadas ontem. Participaram de uma ou das duas conversas vários cotados para entrar na dança das cadeiras, como a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Na lista de participantes estavam também nomes como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

AE
Decisão do procurador-geral ajudou a dar tempo de sobrevivência a Palocci
Se o parecer do procurador-geral Roberto Gurgel for insuficiente para esfriar a crise, o nome mais cotado para substituir Palocci é o de Miriam Belchior , que tem perfil exclusivamente técnico, como antecipou o iG na semana passada. Dilma teria então que escolher um nome de peso para o Ministério das Relações Institucionais, hoje comandado pelo petista carioca Luiz Sérgio, que já foi apelidado no governo como “Luiz, o garçom” - só anota os pedidos para que Dilma e Palocci tomem alguma decisão.

Para o lugar de Luiz Sérgio a probabilidade maior é que seja escolhido um nome do PMDB. Assim, dizem pessoas próximas a Dilma, o partido do vice Michel Temer ficaria mais comprometido com o governo. No caso de a opção ser por um petista, o nome do líder do governo, Cândido Vaccarezza, é citado, assim como o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Gleisi também estaria trabalhando pela vaga, de acordo com um assessor palaciano.

Embora ainda esteja na lista de cotados para a Casa Civil, Bernardo poderia também retornar para o Planejamento caso Miriam Belchior assuma a cadeira de Palocci. O ministro das Comunicações, por sua vez, poderia ser substituído pelo secretário-executivo da pasta, Cezar Alvarez.

Discurso eleitoral

Segundo fontes do governo, Dilma já tem até um discurso preparado para justificar uma reforma com menos de seis meses de governo. “Ela vai aproveitar as eleições do ano que vem para mexer no ministério”, disse um parlamentar com bom trânsito no Planalto.

Outro ministro que pode entrar na linha de corte é Fernando Haddad, da Educação, que é o preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PT e sofreu desgastes à frente da pasta, como problemas nas provas do Enem e a polêmica envolvendo o livro do “nós pega o peixe”, revelado pelo iG .

São citados ainda Ana de Hollanda (Cultura), que desde a posse é alvo do fogo amigo de setores do PT, e Orlando Silva (Esporte), que vem sofrendo fortes cobranças devido ao atraso nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e ainda amarga o distanciamento entre seu partido, o PC do B, e o PT.

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