Crise faz setores do PR defenderem saída da base aliada

Grupo estaria trabalhando para que a sigla migre para a oposição, após denúncias que afastaram cúpula dos Transportes

Reuters |

 O Partido da República (PR) pode caminhar para a oposição depois que a presidenta Dilma Rousseff afastou a cúpula do Ministério dos Transportes por denúncias de fraudes, que culminaram na renúncia do ex-ministro Alfredo Nascimento. Segundo um parlamentar do PR, que pediu para não ser identificado, há um movimento interno, capitaneado pelo presidente de honra do partido, o deputado Valdemar da Costa Neto (SP), para deixar a base de sustentação do governo.

O parlamentar afirmou, nesta segunda-feira, que levaria essas informações ao governo, pois o movimento não tem o apoio integral de todos os membros e afirmou que aconselhará a presidente Dilma Rousseff a apostar na divisão interna do PR. "Eu acho que ela deve nomear o novo ministro, escolhendo dentro dos quadros do partido o que mais lhe convier. E deve apostar nessa divisão interna, porque nem todos estão com o Valdemar", afirmou.

Alguns parlamentares do partido ficaram irritados com a decisão de Dilma de afastar imediatamente os envolvidos na denúncia de que haveria um esquema de propinas nos projetos da área de transportes. O esquema renderia aos cofres do PR até 5% dos contratos do setor, segundo a denúncia publicada pela revista Veja .

A reação rápida da presidenta, sem consultar previamente o partido, deixou sequelas. O PR quer ser ouvido pela presidenta antes que ela decida quem chefiará o Ministério dos Transportes, que interinamente está sendo comandando por Paulo Sérgio Passos, filiado ao partido, mas sem apoio político para continuar.

O líder da bancada na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que desconhece esse movimento e que esse assunto ainda não está sendo discutido na cúpula do partido. "Que eu saiba não tem isso de sair da base", afirmou. No Palácio do Planalto, há um temor em relação ao depoimento do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, no Congresso na terça-feira.

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