Criar ministérios é empilhar estrutura, diz Marina

Sobre alta dos juros, Marina disse que foi uma "decisão responsável e necessária, buscando o controle da inflação"

Agência Estado |

A pré-candidata à Presidência da República pelo PV, senadora licenciada Marina Silva, discordou hoje, em Curitiba, da proposta do pré-candidato pelo PSDB e ex-governador de São Paulo, José Serra, de criar os ministérios da Segurança Pública e da Pessoa Portadora de Deficiência. Objeção semelhante já tinha sido feita pela outra pré-candidata, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT).

"Se a gente não pensar em reforma do sistema, criar mais ministérios é ir empilhando cada vez mais estruturas, sem o cuidado em relação à visão e a gestão", destacou Marina.

Em entrevista coletiva numa acanhada sala na sede do PV em Curitiba, na qual só foi permitida uma pergunta para cada órgão de imprensa, ela falou particularmente da proposta sobre a segurança. "Tem que fazer uma reforma da segurança pública e, a partir daí, tendo uma visão, estabelece-se um processo e cria-se a estrutura", afirmou. "Criar a estrutura antes é inchar cada vez mais a máquina pública e inchar todos os problemas."

Declarando-se amiga do deputado Ciro Gomes (PSB), ela lamentou a saída dele da disputa pela Presidência da República. "Foi feita uma operação de guerra para não permitir que o partido lhe desse a legenda", criticou. Segundo ela, a democracia perdeu ao não se dar ao eleitor uma opção a mais. "Às vezes a pessoa conhece muito bem o conceito, mas quando a democracia pode prejudicar de alguma forma o seu interesse de exclusivismo ou de não querer alternância de poder, aí se faz operação de guerra para inviabilizar as opções", disse. "Prefiro correr o risco de ser avaliada entre muitos do que fechar o leque entre poucos."

Ela afirmou não ter procurado o deputado, mas que pode conversar "no momento oportuno". A senadora licenciada considerou que sua pré-campanha está caminhando bem. "Não sou de me impressionar com as circunstâncias, se fosse assim nunca teria saído candidata a nada", disse. "Foi acreditando que a gente viu o Brasil eleger o primeiro operário presidente da República, e acreditamos que podemos ver o Brasil elegendo a primeira mulher presidente da República, não por ser mulher, mas pela visão que tem, pelos projetos e propostas."

Em palestra a estudantes e empresários, Marina afirmou que o Brasil precisa de líderes e não de gerentes, destacando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, são grandes lideranças. E rechaçou a opinião de quem a critica por elogios que faz a Fernando Henrique. "Se para ganhar votos é preciso abrir mão do que é justo e certo, é melhor abrir mão de voto."

Economia

Na palestra aos empresários ela não falou sobre a elevação da taxa de juros em 0,75 pontos porcentuais, determinada ontem em reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Mas, em entrevista pouco antes do encontro, ela disse que foi uma "decisão responsável e necessária, buscando o controle da inflação". Ao seu lado estava o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo Rocha Loures. "Achamos que (a elevação da taxa) é um enorme equívoco, isso que estão fazendo é fuga, esse não é o caminho", contrapôs.

Em relação às propostas econômicas, Marina afirmou que o partido trabalhará com o tripé que, segundo ela, vem respondendo positivamente aos desafios enfrentados pelo Brasil: meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante. Questionada por empresários sobre a reforma tributária, ela reforçou que não iria prometer, porque se fosse algo simples já teria sido feito. "Há algumas reformas que já se transformaram em consenso, mas ninguém faz: reforma tributária, política, da previdência e outras mais", disse. Ela afirmou que está se unindo à proposta do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que defende uma constituinte exclusiva para realizá-las.

Lula

Sobre a escolha de Lula como um dos líderes mais influentes do mundo, Marina disse: "Ele é uma liderança respeitada em todo o mundo, não há dúvida. Não é porque estou em partido diferente que iria desconhecer o mérito da liderança no mundo e no Brasil. Não é à toa que tem os índices de popularidade que tem."

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