CPI que apura escândalo no DF vai completar 90 dias sem relatório

CPI foi concluída em agosto mas até agora o relatório aprovado, que pede indiciamentos, não foi publicado

Severino Motta, iG Brasília |

A CPI que investigou o escândalo no Distrito Federal (DF), deflagrado pela operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, vai completar na semana que vem 90 dias de seu encerramento. Mas, até agora, o relatório que pede o indiciamento do ex-governador José Roberto Arruda, aprovado pela comissão, não foi publicado e, consequentemente, não tem validade.

Nesta sexta-feira uma reunião da CPI chegou a ser convocada, mas não aconteceu por falta de quórum. Desde 26 de agosto, um dia depois da conclusão dos trabalhos da comissão, aliados do ex-governador Arruda trabalham para, mesmo com o relatório já aprovado, excluir nomes dos pedidos de indiciamento.

O relatório da CPI propõe ao Ministério Público (MP) o indiciamento de 22 pessoas. Além de Arruda constam na lista o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), o ex-vice-governador, Paulo Octávio, o ex-secretário de Governo do Distrito Federal, José Humberto Pires, e o ex-corregedor do DF, Roberto Giffoni.

O relator da CPI, deputado Paulo Tadeu (PT), não compareceu à reunião desta sexta-feira. Ele alega que, como os trabalhos foram encerrados em agosto, não há mais o que se discutir em reuniões. Para ele resta, somente, a publicação do relatório.

O presidente da comissão, Aguinaldo de Jesus (PRB), não atendeu às ligações feitas pela reportagem. Em outras ocasiões, contudo, disse que o relatório será publicado após a realização de “algumas correções” no texto, mas não especificou quais seriam as alterações.

Ele convocou uma nova reunião da CPI para a próxima sexta-feira, quando a comissão completará 93 dias de sua conclusão sem um relatório publicado.

Pandora

A CPI investigou o caso que ficou conhecido como “mensalão do DEM”, e que chegou a levar à cadeia o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. De acordo com o Ministério Público ele chefiou uma quadrilha que cobrava porcentagens nos contratos de empresas com o governo.

Os recursos seriam usados, ainda de acordo com o Ministério Público, para o pagamento de deputados da base aliada na Câmara e para o financiamento de campanhas.

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