CPI pede indiciamento de Roriz, Arruda e mais 20 por corrupção

Relatório final lista 17 crimes, como formação de quadrilha e lavagem e ocultação de bens, e será analisado pelo MP

Fred Raposo, iG Brasília |

Sete meses após ser criada, a CPI da Codeplan aprovou esta quarta-feira relatório final que inclui o pedido de indiciamento dos ex-governadores Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda (sem partido), e outras 20 pessoas, por envolvimento no suposto esquema de corrupção conhecido como Mensalão do DEM.

O documento lista 17 crimes, entre eles: formação de quadrilha, peculato, emprego irregular de verba pública, corrupções passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem e ocultação de bens. O texto pede ainda aprofundamento de investigações sobre 36 empresas, que mantiveram contratos com o GDF entre 1999 e 2010.

Fellipe Bryan Sampaio
O deputado Paulo Tadeu (à direita) baseou seu relatório em depoimentos prestados por personagens do Mensalão do DEM e na análise de contratos do GDF.
A CPI baseou seu relatório na análise desses contratos e em depoimentos prestados por personagens citados no Inquérito 650 da Polícia Federal – que deu origem à Operação Caixa de Pandora. Para o relator da CPI, deputado Paulo Tadeu (PT), o conteúdo do relatório é suficiente para condenar Roriz, Arruda e os demais envolvidos.

“O relatório é muito claro. Conseguiu comprovar que todo mecanismo utilizado pelo governo Roriz foi utilizado também pelo governo Arruda", diz Tadeu. "O que se mudou foi apenas o método, mas o objetivo era o mesmo, utilizar serviços públicos para desviar recursos para campanha (eleitoral), para pessoas, e por aí vai”.

Segundo o petista, o documento será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), para que seja feita a "classificação dos crimes". Cópias também foram encaminhadas para diversos órgãos da administração pública, como o Ministério Público Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas da União.

O trabalho da comissão foi além dos contratos das empresas de informática. Identificou irregularidades nas áreas de publicidade, terras públicas, coleta e tratamento de lixo, no Detran e no Banco de Brasília.

O relatório calcula que o GDF gastou, entre 2000 e 2010, R$ 4,2 bilhões com contratos envolvendo empresas suspeitas de integrar o esquema do mensalão. Porém, não soube precisar quanto foi de fato desviado. No documento, A despesa é classificada como “Orçamento da Caixa de Pandora”.

"Pequenos ajustes"

O texto foi aprovado pelos quatro membros da comissão presentes – o deputado Batista das Cooperativas (PRP) faltou à sessão. Os deputados Cristiano Araújo (PTB) e Raimundo Ribeiro (PSDB) sugeriram pequenas mudanças no texto, que foram aceitas pelo relator. “São pequenos ajustes para não deixar brechas a interpretações erradas”, disse Tadeu.

A comissão foi criada em 11 de janeiro deste ano. Os trabalhos foram marcados pela inda e vinda de seus membros, e chegou a ser suspensa. “Ela surgiu para ser o palanque de defesa do Arruda. Mas perderam o controle”, afirma Tadeu. A base de parlamentares ligada ao ex-governador sempre foi maioria na Câmara Distrital.

Leia abaixo os relatórios da CPI da Codeplan:

Relatório Geral

Resumo do Inquérito 650, do STJ

Orçamento da Caixa de Pandora

Banco de Brasilia (BRB)

Detran - DF

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