Corpo de Orestes Quércia é enterrado em São Paulo

Sepultamento ocorreu com salvas de tiro; o prefeito Gilberto Kassab foi uma das cerca de 300 pessoas que compareceram à cerimônia

Cíntia Acayaba, iG São Paulo |

Futurapress
Corpo de ex-governador é sepultado na manhã deste sábado
Sob sol forte e com a presença de cerca de 300 pessoas, foi enterrado às 9h30 deste sábado de Natal o corpo do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), no cemitério do Morumbi, zona sul de São Paulo. Ele morreu na sexta-feira vítima de câncer na próstata.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM),  participou de cerimônia que teve honras de Chefe de Estado, com três salvas de tiro.

"Quércia é exemplo de determinação e de respeito à democracia. Estou solidário à família neste momento de dor”, afirmou o prefeito.

O corpo de Quércio chegou escoltado ao cemitério às 9h05. O prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB), considerado um dos principais herdeiros políticos de Quércia, discursou durante o sepultamento, que contava com a presença da mulher Alaíde e quatro dos seus filhos. “Em nome de todos, do MDB, do PMDB, você é um exemplo. Você cumpriu uma missão e deixou um exemplo de amor ao próximo. Poucas pessoas no Brasil têm sua história. Você sempre será o líder do MDB e do PMDB.”

Depois do enterro, Barbieri afirmou aos jornalistas que o PMDB no Estado está forte porque "venceu as eleições". Em São Paulo, o partido é aliado do PSDB, que elegeu o governador Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes ao Senado.

A bandeira do Estado de São Paulo, que cobria o caixão, foi dobrada e entregue à família pelo secretário de Assistência e Desenvolvimento Social do governo do Estado, José Carlos Tonin. Na sequência o corpo foi enterrado às 9h30, e os cerca de 300 participantes cantaram o hino nacional. Um líder comunitário da zona leste, João Sebastião Ferreira, também se pronunciou. “Você foi o único governador que prestigiou as lideranças comunitárias”, disse Ferreira.

Ao final da cerimônia, o deputado e vice-presidente estadual do PMDB, Jorge Caruso, afirmou que assume provisoriamente a presidência do partido estadual e disse que irá convocar eleições, mas não antecipou a data. Sobre Quércia, Caruso afirmou que "é uma figura que se mostrou há alguns anos, o que é fazer política e enfrentar os políticos de frente. É uma perda para o partido”.

"O quercismo sempre existirá no coração das pessoas independente de um nome", completou.

Orestes Quércia morreu na sexta-feira (24) vítima de câncer de próstata.

Redemocratização 

O ex-governador de São Paulo foi lembrado em seu velório como político fundamental para o processo de redemocratização pós-ditadura militar.

Um dos primeiros políticos a chegar ao velório, realizado no Palácio dos Bandeirantes, na sexta-feira, foi o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que lembrou da papel de Quércia no processo de democratização. “"Ele foi senador pelo manda brasa (antigo MDB). Foi muito importante na redemocratização. Sempre foi um líder municipalista e defendeu a descentralização. Nos apoiou muito na última eleição. Viajávamos muito pelo Estado, conversávamos bastante. Deixo nosso carinho, sentimentos e nossas orações”, disse Alckmin, um dos primeiros a falar com a imprensa, já na saída do Palácio dos Bandeirantes.

Para o peemedebista Wagner Rossi, que compareceu ao velório, Quércia se tornou uma das figuras mais importantes do país ao derrotar o militar Carvalho Pinto, da Arena, na disputa ao Senado, em 1974. “Foi a primeira vez que sentimos que a ditadura não era imbatível”, lembrou. Questionado como fica o Quercismo em São Paulo, Rossi declarou que é “um movimento importante, mas é de outra época". "O que existe é um peemedebismo e o PMDB é um partido muito forte”, afirmou o integrante do governo federal.

Aloysio Nunes, que conquistou uma vaga no Senado depois que Quércia saiu da disputa, afirmou que o ex-governador foi um grande organizador do MDB, um senador corajoso e um político de palavra. “Ele foi o primeiro governante do Estado a colocar o tema da criança e da juventude na agenda, criando para isso uma secretaria”, declarou sobre a trajetória do ex-governador. Aloysio comentou ainda a aliança entre tucanos e peemedebistas no Estado. “Houve uma aliança inédita entre PMDB e PSDB no Estado. Quércia ajudou muito na vitória de Alckmin e na minha vitória.” O PMDB paulista contrariou a orientação nacional do partido e não apoiou a candidatura da presidenta eleita Dilma Rousseff à Presidência da República. 

O governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), também lamentou a morte de Quércia. "Sentimos imensamente a perda do Quércia, figura que marcou a política de São Paulo. Estivemos juntos durante a ditadura e (lutamos) pela redemocratização. Depois, participei imensamente da campanha dele em São Paulo. Convivi com ele até 1997 no PMDB, depois nos separamos, tínhamos visões diferentes."

Para o governador, o peemedebista era "um homem muito aberto, falava o que pensava, cumpria compromissos. Sempre teve uma posição muito progressista". Sobre a trajetória do ex-governador, Goldman afirmou que Quércia é um “político do passado”, mas de uma “parte saudável do passado”. "Quércia fazia 'uma política de fio de bigode', uma política antiga, mas séria, porque era uma política em que se cumpria as coisas. Você conversava, não precisava escrever e registrar em cartório".

O deputado Barros Munhoz também lembrou o embate pelo Senado entre Quércia e Carvalho Pinto e qualificou o ex-governador como "um grande empreendedor". Na opinião de Munhoz, Quércia "organizou o PMDB em São Paulo".

A senadora eleita do PT Marta Suplicy chegou ao local por volta das 17h e destacou características de Quércia. “Ele foi um político que fez muita diferença para São Paulo, foi um desenvolvimentista que teve um papel importante na redemocratização". Ela afirmou que não foi ao velório para representar seu partido, mas sim "a si mesma".

Outro membro do PT que compareceu ao Palácio dos Bandeirantes foi o deputado federal José Genoino, que lembrou das vezes que teve contato com Quércia na resistência política. “Ele teve um papel destacado. Eu inclusive o conheci quando era preso político em 1974. Ele visitava os presos políticos na penitenciária como candidato a senador. Depois a gente se encontrou nas campanhas das Diretas e na Constituinte. Por tanto ele tem um legado muito importante que eu não podia deixar de reconhecer”.

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