Conselho de Ética do Senado abre processo para investigar Demóstenes

Senador é suspeito de envolvimento com o bicheiro Carlos Cachoeira e terá dez dias para apresentar defesa

iG São Paulo |

O presidente interino do Conselho de Ética do Senado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), aceitou o pedido de abertura de processo para investigar o envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o esquema de jogos ilegais, comandado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes terá dez dias para apresentar defesa. A abertura de processo disciplinar contra o senador por quebra de decoro parlamentar foi pedida pelo PSOL.

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AE
Alvo de denúncias, Demóstenes Torres será investigado pelo Conselho de Ética do Senado

Para fugir de uma possível cassação, Demóstenes pode renunciar ao mandato. No entanto, a decisão o tornaria inelegível até 2027 com base na Lei da Ficha Limpa, que barra da eleição políticos com condenação e os que renunciam para escapar da cassação. Outra alternativa para o senador é enfrentar o processo no Conselho de Ética e, se condenado, apostar na absolvição em plenário, onde o voto dos senadores é secreto.

Valadares só tomou a decisão após consultar o plenário do conselho, que julgou regimental a sua iniciativa, uma vez que o PMDB ainda não indicou um titular para o cargo de presidente do conselho. O senador do PSB assumiu interinamente o cargo por ser o político mais velho entre os integrantes do conselho, conforme prevê o Regimento Interno do Senado.

O Conselho de Ética estava sem presidente desde que o senador João Alberto Souza (PMDB-MA) se licenciou para assumir um cargo no governo do Maranhão. Na semana passada, Vital do Rego (PMDB-PB) foi convidado a assumir o colegiado , mas concluiu que, presidindo a Corregedoria do Senado, não poderia acumular o novo cargo.

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Alvo de denúncias, Demóstenes, que deixou o DEM na semana passada, ainda pode ser alvo de duas CPIs: uma Câmara e outra no Senado. Os parlamentares tentam conseguir assinaturas para investigar a relação de políticos com Cachoeira, que está detido no presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN). O objetivo é ampliar a apuração para além do senador Demóstenes uma vez que outros nomes surgiram ao longo da investigação da Polícia Federal.

Marco Maia, presidente da Câmara, defendeu nesta terça que a CPI que investigará as ligações entre Cachoeira e políticos deveria ser mista. A Assembleia de Goiás também deve instalar uma CPI para realizar investigações.

No sábado (7), o iG revelou, com base no inquérito da Polícia Federal (PF) da Operação Monte Carlo, que as polícias Civil e Militar estavam a serviço de Cachoeira para a abertura e fechamento de bingos. Ontem, o iG mostrou que o grupo de Cachoeira indicava até promoções de membros da Polícia Militar de Goiás (PM-GO).

Na semana passada, surgiram revelações de que Cachoeira teria um vínculo com o então presidente do Departamento de Trânsito em Goiás (Detran-GO), Edivaldo Cardoso. Ele pediu exoneração do cargo. A chefe de gabinete do governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), Eliane Pinheiro, também pediu para se desvincular do executivo após ser flagrada em conversas telefônicas com Cachoeira. Nas conversas, ela falava sobre operações da Polícia Federal de Goiás com Cachoeira.

Com Agência Brasil

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