Conselho afasta membros do MP envolvidos com a Caixa de Pandora

Conselho Nacional do MP afastou Leonardo Bandarra e Deborah Guerner de suas funções. Os dois também respondem na Justiça comum

Severino Motta, iG Brasília |

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) afastou o ex-Procurador de Justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner de suas funções até que o processo administrativo aberto contra os dois seja concluído. Eles respondem na Justiça por formação de quadrilha, quebra de sigilo funcional e concussão (exigir dinheiro ou vantagem em razão da função que ocupa), crimes que vieram à tona com a operação Caixa de Pandora, que levou à prisão o ex-governador José Roberto Arruda.

Numa sessão que se estendeu durante a tarde e parte da noite, os conselheiros observaram que faltas funcionais graves teriam sido cometidas pela dupla, que, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF), teria protegido o governo de Arruda de acusações mediante o pagamento de propinas.

Com o afastamento, os dois ficam fora de Ministério Público e podem ser aposentados compulsoriamente – a depender do resultado das investigações. Para que haja demissão, o processo administrativo deve recomendar a abertura de processo na Justiça comum para tal finalidade.

Denúncia

O processo criminal contra Bandarra e Gurner corre sob segredo de Justiça e está nas mãos do desembargador Antônio Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF). Segundo o principal delator do esquema, Durval Barbosa, Bandarra teria recebido R$ 1,6 milhão e uma mesada de R$ 150 mil para antecipar informações sobre investigações conduzidas pelo Ministério Público local e para não barrar um suposto esquema de cobrança de propina de empresas de ligadas à coleta de lixo.

Durval ainda alega que Guerner intermediaria as negociações com Bandarra. Na casa da promotora, numa busca e apreensão feita pela Polícia Federal, um cofre enterrado em seu jardim foi encontrado com dinheiro e discos rígidos de computadores.

Casal tentou enganar polícia

Déborah Guerner e seu marido Jorge tentaram enganar a Polícia deixando dinheiro quente em cofres escondidos pela casa . Desconfiando de uma iminente busca e apreensão, a dupla discutiu métodos para enganar as autoridades. A estratégia veio à tona devido a imagens gravadas pelas câmeras de segurança da residência.

Num dos diálogos gravados, e encontrado pela Polícia Federal num cofre enterrado no quintal da casa do casal, os dois discutem o que fazer com maços de dinheiro. Jorge diz a Déborah que o melhor seria colocar recursos sacados do Banco do Brasil nos cofres, para que, com uma eventual apreensão policial, fosse possível justificar a origem das notas.

O expediente falhou justamente porque a Polícia Federal encontrou discos rígidos num cofre enterrado no quintal da casa com as imagens do circuito interno de TV e a conversa acima foi direto para a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o casal.

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