Conflitos no segundo escalão vão além da disputa interna do PMDB

Aliados do PP, PR e PSB, além do próprio PT, também passam por discussões intensas acerca dos cargos no governo Dilma

Adriano Ceolin e Danilo Fariello, iG Brasília |

A disputa por postos de segundo escalão do novo governo federal vai além das insatisfações do PMDB. O PP, o PR, o PSB e o próprio PT travam uma batalha nos bastidores pelos cargos que restaram na Esplanada dos Ministérios e nas empresas estatais. Apesar das pressões políticas, a presidenta Dilma Rousseff tenta impor um perfil mais técnico no segundo escalão.

Antes mesmo de o deputado Mário Negromonte (BA) tomar posse no Ministério das Cidades, o partido dele, o PP, já dava inicio a uma disputa pela vaga de secretário-executivo da pasta. Apoiado pelas bancada no Congresso, Rodrigo Figueiredo é favorito para permanecer na vaga. Setores do partido ligados ao ex-ministro Márcio Fortes tentam minar sua manutenção.

Em outra frente, o novo ministro Negromonte trabalha para indicar o aliado político Roberto Muniz (também do PP-BA) para o lugar de Figueiredo. Muniz tenta ganhar o apoio do PT baiano. Ele é o primeiro suplente do senador eleito Walter Pinheiro (PT-BA). Muniz tinha esperanças de que Pinheiro ganhasse uma vaga na Esplanada, o que não ocorreu.

Ainda no Ministério das Cidades, o PT garantiu a manutenção de Inês Magalhães na Secretaria de Habitação. A área é estratégica porque comanda o programa Minha Casa, Minha Vida. Além de contar com o apoio do ex-ministro José Dirceu, Inês Magalhães foi mantida a pedido por Negromonte a pedido da própria presidenta Dilma.

No Ministério das Comunicações, a escolha do secretário-executivo gerou disputa entre petistas. Assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho entrou numa queda de braço com o então assessor especial da Presidência República Cesar Alvarez. Acabou derrotado. Agora, Barbosa tem esperanças de assumir a nova Secretaria de Inclusão Digital da pasta.

Durante as transmissões de cargos entre os ministros, houve episódios que denotaram a disputa por cargos em segundo escalão. A bancada do PSB deixou de prestigiar a posse do ministro Fernando Bezerra Coelho na pasta de Integração Nacional porque até agora não foi atendida nas suas reivindicações.

Presidente nacional do PSB e principal fiador de Coelho, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tentou minimizar a ausência dos deputados na cerimônia. “Não há absolutamente isso. Nós temos o partido unido para seguir crescendo”, disse Campos. “Em relação aos demais cargos, quem vai decidir é o ministro e a presidenta”, completou.

Outro partido que teve de passar por uma discussão mais longa para definir seu segundo escalão foi o PR. Apenas na semana passada foi confirmada a manutenção de Luiz Antônio Pagot na diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit). Pagot tem trajetória no Mato Grosso, onde foi aliado do senador Blairo Maggi. Uma ala do partido, porém preferia o ex-senador César Borges (PR-BA), que não conseguiu se reeleger, na diretoria do Dnit.

PMDB boicota posse de novo ministro

Por causa de perda de cargos no segundo escalão do Ministério da Saúde, integrantes do PMDB combinaram e não compareceram à transmissão do cargo no Ministério das Relações Institucionais. A pasta era comandada por Alexandre Padilha, novo ministro da Saúde, e agora ficará com o deputado Luiz Sérgio de Oliveira (PT-RJ).

Além do Ministério da Saúde, o PMDB ficou insatisfeito com mudanças nos Correios, que desde 2005 está sob influência da sigla. O Diário Oficial desta segunda-feira trouxe a destituição de toda diretoria da empresa. Correios, com orçamento de R$ 12 bilhões, há muitos anos eram um feudo do PMDB e levaram a escândalos que resultaram em CPI e precariedade operacional.

Na semana passada, já havia sido confirmado o petista e ex-presidente do fundo de pensão da Petrobras (Petros), Wagner Pinheiro, como presidente dos Correios. Hoje, toda a diretoria dos Correios, em que muitos ainda eram ligados ao PMDB, caiu. Os novos nomes são de confiança do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que já era um interventor virtual na estatal no fim do governo Lula.

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