Comissão da Câmara de São Paulo aprova convocação de Cintra

Secretário municipal será convidado a prestar esclarecimentos sobre relações com incorporadora interessada em compra de área em SP

Nara Alves, iG São Paulo |

A Comissão de Justiça da Câmara de São Paulo aprovou nesta quarta-feira o requerimento apresentado pelo vereador Adilson Amadeu (PTB) que solicita a convocação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra. A Câmara irá entrar em contato com o secretário para convidá-lo e marcar uma data para os esclarecimentos.

O pedido foi feito na Comissão de Justiça com base na reportagem publicada na semana passada pelo iG , que revelou que o secretário comprou lotes em um condomínio de luxo da incorporadora JHSF , onde sua filha trabalha. Cintra é um dos principais entusiastas da venda de um quarteirão avaliado em até R$ 200 milhões no Itaim Bibi, na capital paulista, onde funcionam creches e outros serviços públicos. Para avaliar o terreno de 20 mil m², ele contratou a incorporadora JHSF – que também tem grande interesse em comprá-lo.

AE
Marcos Cintra nega conflito de interesses
Procurado nesta tarde pela reportagem, Cintra não retornou à solicitação do iG até o momento. Na semana passada, o secretário negou qualquer tipo de conflito de interesse, já que tanto a contratação de sua filha como a compra dos lotes no empreendimento da incorporadora são anteriores às discussões em torno da venda do quarteirão do Itaim. "Não tem conflito de interesse porque tudo ocorreu anteriormente, antes de eu ser qualquer coisa na Prefeitura. São coisas distintas", disse.

Para Adilson Amadeu, Marcos Cintra precisa explicar sua ligação com a JHSF e pediu o afastamento do secretário do cargo . "A ligação de Cintra com a empresa é muito grande. Ele pode estar dando informações privilegiadas para a empresa e vice-versa. Ele precisaria ser afastado do cargo até que tudo fosse esclarecido", defendeu.

O vereador Aurélio Miguel (PR), que moveu ação popular no Ministério Público contra a venda do terreno , afirmou que o fato de Cintra ter comprado lotes no empreendimento da JHSF não é um ato ilegal, mas que há um "impedimento moral". "O problema é que a filha dele trabalha na JHSF, que pagou a consultoria (sobre a venda do quarteirão) e tudo indica que pode comprar a área. Faltou bom senso da parte dele (Cintra) de falar 'não dá'. Eu, por exemplo, não autorizei a locação de um imóvel meu para a prefeitura. Há um impedimento moral", disse.

"Eu não sei por que essa ganância toda de querer vender essa área municipal. Eu posso indicar várias outras áreas que a Prefeitura pode vender no Butantã, por exemplo. Não precisa vender ali no Itaim", afirmou Aurélio Miguel. A ação popular movida pelo vereador leva em consideração um processo de tombamento da área, já que há no local uma biblioteca antiga, creches, teatro e outros serviços públicos.

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