Começa julgamento de ex-diretor da Assembleia do Paraná

Ele é acusado de comandar esquema de desvio de recursos por meio e contratação de funcionários fantasmas

Agência Estado |

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O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, acusado pelo Ministério Público do Estado (MP) de comandar um esquema de desvio de recursos por meio da contratação de funcionários fantasmas começou a ser julgado hoje (9). Foram ouvidas seis testemunhas de acusação.

Outra deve depor por carta precatória em Londrina, no interior. O MP suspeita que foram desviados pelo menos R$ 100 milhões da Assembleia Legislativa.

A defesa do ex-diretor, que está preso, dispensou todas as testemunhas. "As provas das testemunhas de acusação não trouxeram nenhuma novidade que precisasse ser contraditada por testemunha de defesa", alegou o advogado do réu, Eurolino Sechinel dos Reis.

Durante os depoimentos, Reis deu mostras de que a estratégia será reforçar um suposto distanciamento entre Miguel e os funcionários fantasmas, embora ele negue até mesmo que os fatos apontados pelo MP. "Até aqui não existe nenhuma prova cabal de envolvimento ou de qualquer ato ilícito praticado pelo meu cliente", afirmou. "Não há prova da existência dos fatos, daquilo que vem sendo divulgado", disse.

O promotor Denilson Soares de Almeida ressaltou que o objetivo não era trazer fatos novos. "Nós não precisamos de fatos novos, nós precisamos confirmar o que já está descrito." Segundo ele, o fato de a defesa tentar mostrar que não há ligação direta entre o ex-diretor-geral e os funcionários fantasmas é redundante. "Isso nós sabíamos desde o começo, escrevemos na denúncia que ele usava de uma interposta pessoa, que fazia a ligação com os parentes, obtinha-se a documentação e eles eram incluídos na folha de pagamento", disse.

O início do julgamento de Abib Miguel foi adiado duas vezes em novembro em razão de ele ter se submetido a uma cirurgia de hérnia abdominal. Hoje, durante a audiência, ele folheou uma revista, sorriu e fez comentários com o advogado. O ex-diretor-geral vai depor após todas as testemunhas serem ouvidas. A defesa e a acusação pronunciam-se posteriormente para que a juíza Ângela Ramina, da 9.ª Vara Criminal de Curitiba, possa dar a sentença.

Há outro processo sobre o mesmo assunto envolvendo os ex-diretores José Ary Nassif e Cláudio Marques da Silva. O julgamento deste deve começar em 12 de janeiro de 2011. O caso dos funcionários fantasmas foi levantado por reportagem do jornal Gazeta do Povo e pela Rede Paranaense de Televisão, no início do ano, e ganhou o Prêmio Esso de Reportagem.

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