Com Serra, PSDB tenta acordo até o último momento

PSDB deve reconduzir à presidência da sigla o deputado Sérgio Guerra, que prepara discurso pedindo unidade dos tucanos

Nara Alves e Adriano Ceolin |

A 10ª Convenção Nacional do PSDB começou pouco depois das 9h deste sábado em Brasília, mas as negociações na tentativa de chegar a um acordo continuam. Os tucanos tentam, até o último minuto, definir a nova executiva tucana, disputada cargo a cargo entre os grupos liderados pelo senador Aécio Neves (MG) e pelo ex-governador José Serra (SP).

Na noite de ontem e durante a madrugada, o presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE) – que rompeu com Serra e deverá ser reconduzido ao cargo com o apoio de Aécio -, tentou articular uma saída que contemplasse tanto mineiros como paulistas. Os dois grupos disputam a secretaria-geral do partido, hoje ocupada pelo mineiro Rodrigo de Castro. Em seu discurso, Guerra irá pregar a unidade do partido na esfera nacional. Segundo interlocutores, ele irá defender que as lideranças sejam menores do que a legenda.

AE
Há aproximadamente um ano, Serra e Aécio procuravam demonstrar unidade

O ex-governador José Serra, que até a noite de ontem não havia confirmado sua presença, já está em Brasília. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também está na capital federal para o encontro. “Viemos completos”, disse o secretário de Gestão de São Paulo e presidente do PSDB municipal de São Paulo, Júlio Semeghini.

Outros cargos-chave da executiva podem ficar nas mãos de paulistas. A primeira vice-presidência da sigla deverá ficar com o ex-governador paulista Alberto Goldman, vice de Serra no Palácio dos Bandeirantes. O nome mais cotado para a segunda vice-presidência é o do deputado Emanuel Fernandes (SP), secretário de Alckmin.

Tucanos paulistas ligados a Serra, no entanto, alegam que os cargos na chapa da executiva nacional não são suficientes. Assim como Alckmin, eles defendem publicamente que Serra seja indicado como presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), órgão tucano que conta com um orçamento de R$ 11 milhões. O cargo já foi oferecido ao ex-senador Tasso Jereissati (CE), que não está disposto a abrir mão da posição. Em Fortaleza, a indicação de Tasso como sucessor do atual presidente, Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES), é dada como certa.

Outra alternativa com que trabalham aliados de Aécio e Guerra para acomodar José Serra seria oferecer-lhe a presidência do conselho que seria criado pelo partido. Inicialmente, o grupo seria liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e composto por Serra, Aécio, Tasso, além dos seis governadores tucanos. Serra, porém, teria recusado a oferta.

O esforço em contemplar tucanos paulistas visa, principalmente, evitar mais uma vazão de deputados federais rumo ao PSD, novo partido a ser criado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (ex-DEM), afiliado político de Serra. Nas eleições do PSDB municipal, seis vereadores descontentes deixaram a legenda rumo ao PSD, PV e PMDB.

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