Com equipes definidas, Dilma tenta conciliar demanda de aliados

Presidenta eleita já definiu ministros mais próximos e agora se dedica, ao lado de assessores, a finalizar negociações com a base

Andréia Sadi, iG Brasília |

Passada as definições da equipe econômica e ministros palacianos, a presidenta eleita Dilma Rousseff se dedicará a partir desta segunda-feira a partilhar o primeiro escalão de seu governo entre os mais de dez partidos aliados de sua base, além do próprio PT . Durante a semana, a presidenta e o coordenador da equipe de transição, Antonio Palocci, deverão sentar com o PMDB e PSB , ouvir sugestões e fechar indicações para as pastas na Esplanada. Dilma espera anunciar todo ministério até o dia 15 de dezembro.

Agência Estado
Dilma deve se reunir com aliados esta semana para definir novas indicações do seu governo

Ainda na campanha, o vice-presidente eleito Michel Temer já havia dado sinal: o partido não quer se coadjuvante no novo governo Dilma. No governo Lula, o PMDB acumulou seis ministérios e comandou orçamento superior a R$ 100 bilhões. No novo cenário, o partido quer manter as seis, incluindo uma vaga na coordenação política do governo. Além do primeiro escalão, o partido também planeja indicações para estatais e agências reguladoras.

Um dos coordenadores do programa de governo de Dilma, Moreira Franco é o nome do grupo da Câmara do partido como ministeriável na pasta de Cidades. Moreira é tido como uma indicação da cota pessoal de Michel Temer, de quem é fiel escudeiro. Outros dois ministros a depender da bancada do PMDB na Câmara são Wagner Rossi, na Agricultura e Marcelo Castro, para a Integração Nacional.

Para Minas e Energia, o PMDB dá como certa a continuidade de Edison Lobão na pasta. Nos bastidores, o PMDB já disse que quer se livrar do que classifica de "barriga de aluguel" no novo governo - a nomeação de um ministro na cota do partido, mas, na prática, uma indicação do presidente da República. É o caso, por exemplo, do atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Apesar de ser do PMDB, ele sempre foi considerado uma indicação pessoal do presidente Lula.

Caciques do PMDB já manifestaram que aceitam perder a pasta em troca de uma outra com força. “Só não pode ser uma como a Pesca”, exige um peemedebista.

O PSB também reivindica mais espaço no novo governo de Dilma. Durante o segundo mandato do presidente, o PSB, comandado por Eduardo Campos, ocupou dois ministérios - Ciência e Tecnologia e Portos, este último uma indicação de Ciro Gomes (PSB-CE). Ciro queria disputar a Presidência em 2010. A pedido do presidente Lula, o PSB vetou a candidatura de Ciro e trabalhou para eleger Dilma.

Agora, o partido quer ampliar sua força no governo da petista. Um dos focos de investimento do partido é ocupar o Ministério de Integração Nacional, o que ampliaria para três os cargos na Esplanada. Mas terá de convencer o PMDB, dono da pasta atualmente, a ceder a vaga.

Na semana passada, Campos disse que ficou de trocar telefonemas com Dilma nesta segunda para acertar uma nova vinda a Brasília para tratar das negociações. Ele negou, no entanto, que esteja sendo negociada uma vaga para Ciro no BNDES.


O rateio entre o PT

Além de lidar com os partidos da base, Dilma precisará também fazer a divisão de cargos entre nomes de sua legenda. Assim como os demais, o PT quer a sua cota na Esplanada dos ministérios. Além dos coordenadores Antonio Palocci - que vai para a Casa Civil - e a provável indicação de José Eduardo Cardozo para Justiça, o PT em São Paulo quer emplacar em ministérios nomes como os de Aloizio Mercadante e Marta Suplicy.

No Rio, as especulações giram em torno de Luiz Sérgio, presidente do PT estadual, para o Turismo, e de Emir Sader para a Cultura. Já em Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel foi convidado para ocupar o Ministério de Desenvolvimento e Indústria. Amigo de Dilma, o ex-prefeito é um dos exemplos de como o grupo de nomes fortemente ligados à presidenta eleita teve dificuldade de levar um posto no núcleo político central do futuro governo, como apontou reportagem do iG .

O atual chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, vai ajudar a presidenta eleita na Secretaria Geral da Presidência e Alexandre Padilha deverá permanecer no cargo das Relações Institucionais.

Outro petista, o ministro Paulo Bernardo está sendo cotado para a pasta das Comunicações. Na semana passada, Dilma confirmou o nome de Miriam Belchior para a vaga de Bernardo no Planejamento.

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