Com discurso antipartidário, Marina quer atrair movimentos da web

Empenhada em mobilizar jovens engajados que rejeitam partidos, ex-senadora lidera grupo que deve dar origem a nova sigla

Nara Alves, iG São Paulo |

Um ano após conquistar 20 milhões de votos e quatro meses depois de deixar o PV , Marina Silva (sem partido) e os “marineiros”, grupo de verdes dissidentes que acompanharam a ex-senadora , começam as rascunhar o que pode se tornar seu novo partido. A montagem da futura sigla que poderá abrigar sua candidatura à Presidência em 2014, contudo, acontece em meio a contradições inerentes à própria concepção do movimento.

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Marina Silva se refere a partidos como 'vampiros'

Enquanto acusa os partidos de “vampirizar” movimentos sociais e criticar todo o mecanismo partidário, lideranças do grupo defendem que é necessário entrar na política partidária para, enfim, mudá-la. Para isso, Marina busca o apoio de jovens de diferentes movimentos sociais, engajados politicamente via internet, que rejeitam a política partidária vigente hoje no País. Representantes desse público estiveram presente na última quinta-feira em um debate sobre o que o grupo de Marina chama de “política 2.0”. O evento, ocorrido na zona oeste da capital paulista, contou com a participação da ex-senadora no centro da roda.

“Os partidos na forma como estão não vão s

e deixar atravessar pelos movimentos. Eles vão querer sempre atravessar os movimentos”, criticou. Ela afirma que é preciso inverter essa lógica, formando partidos e candidatos que serão “servidores dos movimentos”, identificados com as ideias defendidas pelos militantes. “O Estado brasileiro tem dono: os partidos. É preciso um novo pacto político para devolver o Estado brasileiro à sociedade”, disse.

Marina Silva relacionou o “novo pacto” que estaria sendo iniciado pelo movimento liderado por ela – embora a ex-senadora refute o uso da palavra liderança, uma vez que defende a “horizontalidade” – à Revolução Francesa de 1789. “Quem foi que disse que aqueles que anteciparam a Revolução Francesa foram maioria? Nenhuma revolução começa com a maioria”, comparou.

A visão do grupo é de que o mecanismo da representação não funcionaria mais, especialmente com a profissionalização dos partidos, o que também propiciaria e fortaleceria a corrupção.

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Ex-senadora se reuniu para discutir 'política 2.0'
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A criação do futuro partido que representaria essa “revolução” ainda não tem data nem nome, mas já tem um rascunho no Facebook do que poderá vir a ser a base de seu estatuto.

Fora a defesa do meio ambiente e da economia sustentável, porém, não há coesão em torno de políticas públicas ou temas polêmicos, como a descriminalização do aborto, de drogas e do casamento gay. Nesses temas, o posicionamento pessoal de Marina é, no geral, mais conservador do que o de seus apoiadores. Mas, segundo o grupo, é exatamente essa a ideia: ser “plural”, “horizontal” e democrático, explorando ao máximo as ferramentas da internet.

Um dos grupos de apoio à Marina via rede social adotou o nome provisório de PV do B (Partido Verde do Brasil) para defender a criação de uma espécie de PV “marineiro”. “A vida política de Marina Silva não está associada a escândalos. Ela representa os cansados da corrupção no meio político. Marina tem a ficha limpa”, ressalta o perfil.

Um dos defensores da fundação de uma nova legenda é o ex-presidente do PV-SP Mauricio Brusadim, que hoje trabalha no Instituto Democracia e Sustentabilidade, organizador do debate sobre “política 2.0”. Para Brusadim, haver uma discussão antes da criação de um novo partido é essencial, contrapondo-se ao PSD, legenda criada a toque de caixa pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Nesse sentido, ele acredita que o futuro partido “marineiro” poderá ser “um PT do século 21”.

Para a próxima semana, o movimento pretende reunir em um evento estadual em São Paulo lideranças políticas de diferentes partidos. Estão na lista os pré-candidatos à sucessão de Kassab Ricardo Trípoli (PSDB) e Soninha Francine (PPS), e a deputada federal Luiza Erundina (PSB). O pré-candidato à vereador pelo PPS Ricardo Young e o candidato a vice de Marina em 2010, o empresário Guilherme Leal (sem partido), engrossam a lista.

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