Colombo negocia para acomodar aliados em governo

Novo governo modifica ¿geografia das urnas¿ buscando agradar legendas da coligação vitoriosa

Emerson Gasperin, iG Santa Catarina |

Na corrida ao governo estadual, Raimundo Colombo (DEM) anunciou que, caso fosse eleito, a montagem do primeiro escalão de sua administração seguiria o método adotado pelo ex-governador – e senador eleito – Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Por este critério, cada partido aliado teria direito a um número de cargos proporcional à quantidade de votos de seus candidatos à Assembleia Legislativa. Passados dois meses de sua eleição já no primeiro turno, porém, a formação do secretariado continua envolta em negociações e especulações que tornaram a tal “geografia das urnas” um conceito para lá de flexível.

Concluída a apuração, os deputados estaduais do PMDB obtiveram 739 mil votos, ante 540 mil do DEM e 503 mil do PSDB, as três principais legendas da aliança que levou Colombo ao poder. Conforme a regra preconizada durante a campanha, peemedebistas ficariam com 32% das vagas no futuro governo, demistas e tucanos teriam 20% cada, 20% seriam da cota pessoal do governador e os partidos menores que integram a coalizão ocupariam os 8% restantes. Mas bastou a primeira indicação para os conflitos começarem.

No final de outubro, Colombo chamou o professor universitário e seu amigo pessoal Ubiratan Resende (sem partido) para a Fazenda. O convite – dentro do percentual destinado ao governador – desagradou ao DEM. Para a bancada estadual do partido, o nome natural para o posto seria Antonio Gavazzoni (DEM), titular da pasta no segundo governo de Luiz Henrique da Silveira.

Os demistas se acalmaram com o acordo que reconduziu Gelson Merísio (DEM) à presidência da Assembleia Legislativa. Pela tradição da Casa, a cadeira caberia a alguém do PMDB, partido com maior número de eleitos. Gavazzoni, por sua vez, já foi consultado para a presidência das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).

Outro foco de divergência veio de deputados peemedebistas, que reclamaram que não tinham voz na formação da lista dos “secretariáveis” do partido. Na avaliação do presidente estadual da sigla, João Matos, a sigla não estaria totalmente representada apenas com as indicações chanceladas por Luiz Henrique e Pinho Moreira. Para agravar a situação, nem mesmo esses dois caciques falam a mesma língua. Políticos ligados ao ex-governador estariam sendo boicotados nas negociações, enquanto o vice-governador eleito estaria privilegiando quadros sugeridos pelo também ex-governador Paulo Afonso Vieira, que deve ficar com uma das vagas no BRDE.

Disputas
No lado do PSDB, a briga era pela manutenção da Educação, conquistada pelo partido no governo Luiz Henrique. Assim que foi confirmada que a secretaria continuaria sob domínio tucano, iniciou-se a disputa para definir quem iria ocupá-la. O senador eleito Paulo Bauer, ex-titular da pasta, queria indicar o próximo secretário. A bancada da legenda preferia o suplente de senador Dalírio Beber – também cotado para a presidência da Companhia de Águas e Saneamento do Estado (Casan) – ou o deputado federal Marco Tebaldi.

O PSDB almejava ainda manter a Saúde, objeto de desejo do PMDB e do DEM. Colombo chegou a sondar Gavazzoni, que rejeitou o posto. Com a recusa, a porta ficou aberta para o peeemedebista Dalmo Claro de Oliveira, apesar das restrições por conta de seu envolvimento com a Unimed (é presidente da seguradora do grupo). A lista divulgada (veja abaixo) por um colunista político após encontro realizado na última sexta-feira com os líderes dos partidos aliados colocou mais lenha na fogueira. O PSDB manifestou-se imediatamente, sentindo-se preterido na composição do secretariado.

Os demais partidos da aliança também se agilizam: PPS e PTB deverão ser contemplados com 3% cada na relação dos nomes do primeiro escalão e 5% nos segundo e terceiro. Na semana que vem, estão previstas conversas com PTC, PRP, PSL e PSC para discutir como acomodar todo mundo.

O possível secretariado:

Infraestrutura: Valdir Cobalchini (PMDB)
Saúde: Dalmo Claro de Oliveira (PMDB)
Administração: indefinido (PMDB; o nome de Milton Martini ganha força)
Agricultura: João Rodrigues (DEM) ou alguém do PMDB
Comunicação Social: Nelson Santiago (DEM) ou Derly da Anunciação (PMDB)
Fazenda: Ubiratan Rezende (cota do governador)
Articulação e Coordenação: Antônio Ceron (DEM)
Celesc: Antônio Gavazzoni (DEM)
Assistência Social: Marcos Vieira (PSDB)
Educação: indefinido (PSDB)
Turismo, Esporte e Cultura: Cesar Souza Junior (DEM)
Articulação Internacional: Alexandre Fernandes (PMDB)
Articulação Nacional: Neuto De Conto (PMDB)
Segurança Pública: César Grubba (cota do governador)
Justiça: indefinido (cota do governador)
BRDE: Paulo Afonso Vieira (PMDB); a outra vaga é do DEM
Desenvolvimento Econômico Sustentável: Paulo Bornhausen (DEM)
Casan: Dalírio Beber (cota do governador e DEM)
Secretaria de Defesa Civil e Prevenção às Tragédias Climáticas: indefinido (ainda será criada)
Saneamento e Habitação: indefinido (PSDB)
Executiva de Assuntos Estratégicos: Paulo César da Costa (PSDB)
Cidasc: indefinido (PSDB)
Epagri: indefinido (PMDB)
Badesc: inefinido (PSDB)

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