Collor evita manobra da oposição para convocar Palocci

Senador tomou o microfone quando a oposição se preparava para votar outra convocação, o que permitiu a chegada da base na sessão

AE |

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O governo quase foi novamente surpreendido pela oposição numa tentativa de convocar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a dar explicações sobre o aumento do seu patrimônio. O líder da minoria na Câmara, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), apresentou um requerimento de convocação de Palocci na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência, que fazia uma sessão em uma das salas do Senado.

Quando os governistas perceberam, o deputado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) já se preparava para votar o requerimento. Enquanto o governo convocava todos os líderes da Câmara e Senado e outros parlamentares para correrem à comissão, o senador Fernando Collor (PTB-AL) salvou Palocci. Ele pediu a palavra e disse que a comissão não tem autorização parlamentar para funcionar, porque ela ainda não foi constituída e qualquer decisão que tomasse seria nula.

Enquanto Collor falava, deu tempo dos parlamentares e líderes da base governista chegarem à sessão, que se realizava de forma emergencial na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Uma vez em maioria, o governo convenceu Lereia a não levar adiante a tentativa de votar o requerimento e a sessão então foi encerrada. Paulo Abi-Ackel acusou o governo de impedir o debate democrático ao barrar a convocação de Palocci.

Oposição articula reação

Procurador de Justiça licenciado, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), disse hoje que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, "faltou com lealdade à sua instituição, o Ministério Público, ao ignorar os indícios quanto ao enriquecimento de Palocci". Demóstenes fez essa declaração na companhia do líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), após obterem mais duas assinaturas de apoio à CPI de Palocci: as do ex-procurador da República Pedro Taques (MT) e de Cristovam Buarque (DF), ambos senadores do PDT.

Álvaro Dias, por sua vez, disse que o arquivamento das representações da oposição que pediam investigações contra Palocci permite fazer a ilação entre a decisão do procurador-geral e sua intenção de agradar ao governo para renovar o mandato por mais dois anos.

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