Mendes Ribeiro Filho defende que deputados tenham o tempo que precisarem para avaliar e votar; bancada do PMDB se reúne com relator

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, acredita que o texto do novo Código Florestal, que teve a votação adiada para a próxima terça-feira , foi o melhor possível a ser buscado no momento e representa avanços na área. O ministro também pede bom senso na votação.

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Ministro Mendes Ribeiro Filho em foto datada de 25 de novembro de 2011
Alan Sampaio / iG Brasília
Ministro Mendes Ribeiro Filho em foto datada de 25 de novembro de 2011

"A lei em vigor é exatamente dura e o decreto em vigor, da Presidência da República, é muito ruim para o produtor. Todo mundo precisa de uma nova lei. O código que está aí não é uma perfeição em matéria de lei, mas é o possível de ser construído e eu acho que representa um avanço, sim", disse em entrevista à Agência Brasil.

O ministro defende que os deputados tenham o tempo de que necessitarem para avaliar e votar o código. Segundo ele, a tentativa de supressão desse tempo pode causar reveses. “O tempo é dos parlamentares. E se tu tentas fazer com que esse tempo não exista, tu podes ter surpresas.”

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Para Mendes Ribeiro, o novo texto “não será o código dos ambientalistas, não será o código dos ruralistas, mas será o código dos brasileiros”. Segundo ele, existe consenso na quase totalidade sobre o projeto vindo do Senado e poucos pontos ainda estão sendo discutidos com o relator da matéria na Câmara, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG).

“Sabe quantos itens eu estou discutindo com o Piau? Oito. De uns 500. É 1%. Reparaste como são poucos?”, comentou o ministro, folheando as 39 páginas do texto e após contar 100 pontos nas nove primeiras páginas.

Manifestantes contrários ao novo Código Florestal marcham na Esplanada dos Ministérios
AE
Manifestantes contrários ao novo Código Florestal marcham na Esplanada dos Ministérios

A bancada do PMDB na Câmara está reunida com Piaui. O encontro ocorre um dia depois de integrantes do partido entregarem um manifesto ao vice-presidente Michel Temer . No documento a sigla reclama da relação do governo federal com as bases políticas do partido.

Segundo o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, o partido pretende propor algumas mudanças no texto aprovado pelo Senado e a reunião com o relator servirá para discutir alterações. Na terça-feira, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que o governo não aceitará mudanças no texto do Senado.

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Para a tarde, está marcada outra reunião, desta vez do relator com os líderes partidários que integram a base do governo na Câmara, para discussão do Código Florestal. “Essas reuniões fazem parte do processo de ajuste antes da votação”, disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), à Agência Brasil.

Com o objetivo de atualizar o atual Código Florestal Brasileiro, de 1965, a proposta do novo texto começou a tramitar no Congresso há mais de dez anos, pela Câmara dos Deputados. Em maio do ano passado, o projeto foi aprovado e encaminhado ao Senado. Lá, a matéria recebeu substitutivo do senador Jorge Viana (PT-AC) e retornou à Câmara para revisão.

Os deputados agora não podem incluir trechos no texto ou fazer alterações no que foi enviado pelos senadores. A Câmara poderá apenas suprimir parcial ou integralmente o texto ou aprová-lo do jeito que está. Em seguida, a matéria será encaminhada para a presidenta Dilma Rousseff, que também poderá vetar trechos do projeto.

Com Agência Brasil

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