Ciro Gomes não é mais candidato a presidente

Conforme o iG havia antecipado, Executiva Nacional do PSB decide enterrar a candidatura própria ao Palácio do Planalto

Andréia Sadi, iG Brasília |

O PSB decidiu, durante reunião da Executiva do partido nesta terça-feira, em Brasília, que Ciro Gomes não será mesmo candidato às eleições presidenciais deste ano. Na votação, 20 dos 27 Estados votaram pela não-candidatura. A decisão foi tomada após serem ouvidos todos os 27 diretórios estaduais. O anúncio foi feito pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, em nota lida durante coletiva de imprensa.

Segundo o presidente do partido, Eduardo Campos, ele e o vice, Roberto Amaral, se encontrarão ainda hoje com Ciro Gomes no Rio de Janeiro para conversar sobre a decisão. "Ciro ouviu o resultado com muita tranquilidade. Queria vir, mas achamos melhor não, para não constrangê-lo", disse Campos.

O apoio formal à candidatura da petista Dilma Rousseff a presidente da República, no entanto, ainda depende de negociações com o PT em alguns estados. O PSB cobrou, na sexta-feira, contrapartidas do PT e do presidente Lula. Campos disse que vai se reunir com o PT na próxima terça-feira e que a decisão deverá ser tomada no dia 17 de maio. Segundo ele, Ciro deverá seguir a orientação do partido. " Só posso ter clareza se ele vai ou não seguir depois que o partido decidir formalmente", disse Campos.

O governador negou que a decisão de retirar a candidatura própria tenha sido condicionada ao apoio do PT em Estados problemáticos para o PSB. "Em hora nenhuma nós condicionamos esta decisão aqui a qualquer acordo eleitoral em torno de candidato a governador, senador, chapa proporcional em Estado nenhum". Mas admitiu: " Agora, se você me pergunta se essa decisão pode vir a ajudar na composição nos Estados, pode sim. É claro que ela é mais um facilitador do que complicador", disse Campos.

Durante entrevista ao iG na semana passada , Ciro assumiu pela primeira vez que sua candidatura à presidência da República havia chegado ao fim. Inconformado com a decisão, agora oficial, o deputado postou em seu site (cirogomes.com) trecho de um poema bastante utilizado por quem critica o autoritarismo – e errou o crédito do texto .

Os socialistas querem ajuda dos petistas na formação de coligações fortes em São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Piauí e Amapá com outros partidos aliados do presidente Lula. No jargão político, uma coligação forte significa reunir apoio suficiente para ter tempo de TV, número significativo de candidatos nas eleições proporcionais (de deputados estaduais e federais) e estrutura partidária em municípios.

Na noite de segunda-feira, a coordenação da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff se reuniu em Brasília, para bater o martelo sobre as reivindicações. O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, se deslocou até a capital federal para ouvir a resposta do PT.

Membros da coordenação da campanha disseram à reportagem que o PT deve ajudar nas negociações com os aliados em alguns Estados, mas que não faria a mediação. "Vamos ter uma reunião com o PT na terça-feira para decidir sobre esses assuntos", revelou o presidente do PSB.

Na entrevista ao iG, além de citar pressões do Palácio do Planalto no PSB para derrubar sua candidatura, Ciro ainda deu a entender que o tucano José Serra deve vencer a eleição presidencial.

Para ele, o desafeto político é mais preparado para enfrentar crises do que a ex-ministra Dilma Rousseff. Hoje, Dilma evitou comentar as polêmicas declarações de Ciro, e ainda disse que quer uma reaproximação com o parlamentar.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG