‘Chinaglia não mostrou a que veio’, diz rebelde do PMDB

Troca de líder do governo na Câmara produz efeito contrário e faz base dificultar votação de Lei Geral da Copa

Adriano Ceolin, iG Brasília |

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Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), terá dificuldades para convencer a base aliada a votar a Lei Geral da Copa ainda nesta quarta-feira. “Chinaglia não disse a que veio. Não sentou, não conversou com a gente”, afirma o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), principal articulador do manifesto rebelde lançado por 45 peemedebistas.

Marcada para ontem, a votação de Lei Geral da Copa foi adiada porque setores da base aliada e da oposição atrelaram a aprovação do texto à votação do Código Florestal . “Vários setores da base querem uma data para votar. E o governo já disse que não concorda”, explica o deputado Renan Filho (PMDB-AL).

Mas não é só a questão do Código Florestal que atrapalha a votação da Lei Geral da Copa. Segundo petistas, a troca do líder do governo ainda não foi digerida pelos aliados e acabou aumentando o clima de tensão. Na semana passada, a presidenta Dilma Rousseff a nomeação de Chinaglia no lugar de Cândido Vaccarezza (PT-SP). “O clima ainda não desanuviou”, admite um petista aliado de Chinaglia.

Líder do governo na Câmara no período pós-mensalão (2005-2007), Chinaglia tem experiência em situações difíceis. Em entrevista ao iG, ele afirmou que precisava de “muita conversa” para tentar resolver os desentendimentos da base . Porém, ele precisa contar com a ajuda das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

“Mas Gleisi, Ideli e Dilma não gostam disso aqui”, afirma um deputado governista, apontando para o plenário da Câmara dos Deputados. O governo não quer marcar a data da votação do Código Florestal porque discorda do texto apresentado pelo relator Paulo Piau (PMDB-MG). Contra a vontade do Planalto, ele fez alterações no projeto aprovado no Senado, atendendo a setores da bancada ruralista.

A oposição se aproveita dos problemas enfrentados por Dilma no Congresso e também pede uma definição para a votação do Código Florestal. “A base aliada não confia no seu próprio governo”, afirma o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE). “Dilma tem uma imensa maioria aqui, mas agora parece não fazer diferença”, completa o tucano.

Crítico do governo e da nomeação de Chinaglia neste momento de turbulência, o rebelde Danilo Forte finaliza: “Não dá para votar qualquer coisa como se estivesse fazendo macarrão”.

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