Cesare Battisti está 'sereno e tranquilo', diz Suplicy

Senador petista está em São Paulo para encontrar ex-ativista italiano nesta sexta-feira

Nara Alves, iG São Paulo |

O ex-ativista italiano Cesare Battisti, solto ontem da prisão em que se encontrava em Brasília, está "sereno e tranquilo", segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Os dois conversaram por telefone antes e depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder asilo político e libertar o ex-ativista, acusado de assassinatos na década de 1970 e condenado à prisão perpétua na Itália.

"Falei com ele por telefone ainda em Brasília, rapidamente, para me colocar à disposição para encontrá-lo. Ele estava sereno e tranquilo", disse Suplicy. Depois de deixar o Complexo Penitenciário da Papuda, onde ficou preso por quatro anos, Battisti passou uma noite em um hotel na capital federal. Durante a madrugada, viajou a São Paulo, onde chegou no início da manhã desta sexta-feira. Na capital paulista, ele pretende escrever o último livro de sua trologia .

O senador Suplicy também viajou de Brasília a São Paulo e espera encontrar Battisti ainda hoje. "Não sei onde Cesare Battisti está e não há previsão de horário e local para o encontro. Quem está cuidando disso é o Luiz Eduardo Greenhalgh", afirmou. Advogado de Battisti e ex-deputado pelo PT-SP, Greenhalgh não foi localizado pela reportagem. De acordo com seu escritório de advocacia, o advogado não se encontra na capital paulista.

AFP
Cesare Battisti deixa o Complexo da Papuda, em Brasília, na madrugada de quinta-feira

O caso

Battisti conseguiu a libertação após o STF rejeitar um pedido de extradição da Itália. O país europeu anunciou que pretende levar o caso ao Tribunal Internacional de Justiça da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia.

O presidente Giorgio Napolitano disse que "deplorava" a decisão brasileira e afirmou que apoiava ações para pressionar o Brasil a honrar um acordo de extradição que possui com a Itália. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi também lamentou a decisão do STF. Um grupo que representa vítimas do terror sugeriu que a Itália não participe da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, enquanto outras entidades pediram um boicote aos produtos brasileiros.

Em dezembro, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu asilo ao italiano, que afirma ser inocente e se diz um perseguido político. Battisti escapou de uma prisão italiana em 1981, enquanto aguardada julgamento. Ele foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), nos anos 1970, quando teria tido envolvimento com os crimes, segundo os processos na justiça italiana pelos quais foi condenado.

* Com informações da Agência Estado

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