Celso Amorim descarta continuar ministro no governo Dilma

O ministro das Relações Exteriores de 68 anos diz que está "velho" para continuar no cargo e defende renovação da chancelaria

EFE |

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em entrevista publicada nesta segunda-feira que não pretende continuar como ministro no gabinete da presidente eleita Dilma Rousseff, que assumirá o cargo no dia 1º de janeiro.

"Considero minha missão cumprida(...) Precisamos de gente mais nova. Eu já estou velho, tenho 68 anos, vivi muito", afirmou o chefe da diplomacia brasileira em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo .

AP
O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, durante a abertura da 65ª Assembleia Geral da ONU, onde representou o presidente Lula
Amorim afirmou ser a pessoa que dirigiu o Palácio do Itamaraty, sede do ministério, por mais tempo na história da República, superando inclusive o Barão do Rio Branco, considerado um dos pais da diplomacia brasileira.

Diplomata de carreira, Amorim foi ministro das Relações Exteriores entre 1993 e 1994, durante o Governo de Itamar Franco, e entre 2003 e a atualidade, nos dois mandatos consecutivos de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro lembrou que em 2009 recebeu a distinção de "melhor chanceler do mundo" pela revista "Foreign Affairs" e afirmou que não pode aspirar a maiores reconhecimentos. "É melhor sair no ápice do que esperar acontecer alguma coisa", avaliou.

Perguntado sobre o que seria o ápice, declarou: "Você lê qualquer jornal internacional, mesmo os que são contra algum aspecto da política externa brasileira, e todos dizem que a importância do Brasil no mundo cresceu".

O ministro atribuiu o "êxito" da política externa brasileira à "personalidade" de Lula e à "visão inovadora" da diplomacia do país, que nestes últimos oito anos passou a ser "altiva e ativa". Amorim também defendeu a política de estreitar relações com países africanos, árabes e asiáticos, com os quais o Brasil não mantinha laços.

"A multipolaridade é um instrumento que a gente tem obrigação de usar. A aproximação com a África, com os países árabes, com a Ásia, entra nisso(...) Não posso dizer: 'Ah! Isso é muito difícil para mim, vou deixar só os Estados Unidos cuidarem disso, ou só a Rússia, ou só a China.' Eu tenho obrigação de cuidar disso também", acrescentou.

Por fim, Amorim revelou que está aberto a ser consultado por seu substituto caso seja necessário e considerou que o próximo ministro deve ser "um profissional" que continue trabalhando "na linha da renovação".

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