Caso Palocci azeda relação entre Kassab e Dilma

Episódio sobre suposta quebra de sigilo da empresa do ministro deu lugar a tensões entre Planalto e prefeito

Ricardo Galhardo e Nara Alves, iG São Paulo |

Os estragos causados pela crise que envolve o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ultrapassaram as fronteiras de Brasília e chegaram a São Paulo. Segundo fontes ligadas ao governo, o suposto envolvimento de Gilberto Kassab no episódio deteriorou a relação entre o prefeito de São Paulo e Planalto, dificultando os planos de uma aproximação com a presidenta Dilma Rousseff .

A prefeitura nega que Kassab tenha se envolvido no caso. Mas o pano de fundo do azedume presidencial em relação ao prefeito seria a versão difundida por petistas nas últimas semanas, de que dados sigilosos referentes ao Imposto Sobre Serviços (ISS) da empresa de Palocci teriam sido violados por funcionários da prefeitura.

De acordo com petistas próximos a Dilma e ao ministro, Kassab teria admitido em conversa com o presidente do PT, Rui Falcão, no dia 21 de maio, uma sexta-feira, a possibilidade de violação na Secretaria de Finanças. Segundo interlocutores de Falcão, o prefeito teria aproveitado para se eximir de culpa e lembrar que a secretaria é comandada por Mauro Ricardo, colaborador de longa data do tucano José Serra, candidato derrotado à Presidência na eleição do ano passado.

Agência Estado
Prefeito vinha investindo na aproximação com Dilma desde que começou a articular a criação do PSD
O governo passou então a investir na tese de que Palocci foi vítima de violação de sigilo e cobrou de Kassab documentos que sustentassem a versão. Sob o argumento de que nenhuma “prova” havia sido enviada até a segunda-feira, diz 24, o PT foi orientado entrar em campo. Na terça-feira o vereador José Américo (PT-SP) foi escolhido para formalizar um pedido de informações à Secretaria de Finanças.

O chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, deram entrevistas acusando a prefeitura de violar o sigilo de Palocci. No mesmo dia, entretanto, a Secretaria de Finanças da administração paulistana divulgou uma nota negando a violação e informando que todos os os acessos a dados sigilosos da empresa do ministro, a Projeto, foram feitos a pedido da própria empresa.

Água fria

Na avaliação de petistas, a resposta firme da secretaria foi um balde de água fria. Emissários de Dilma teriam pedido então que Kassab instaurasse uma investigação interna contra o secretário. O prefeito teria se negado, o que irritou Dilma e azedou as tentativas de aproximação com o governo federal, abertas desde que o prefeito começou a se movimentar para deixar o DEM e criar o PSD.

Até duas semanas atrás vários parlamentares petistas defendiam que fosse oferecida ao PSD uma das vice-lideranças do governo na Câmara como forma de atrair o futuro partido de Kassab para a base governista. Nesta quarta-feira, o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), descartou a possibilidade. “Não tem nada disso. A informação que recebemos é que o PSD vai se manter independente”, disse Vacarezza.

Além disso Kassab, que nos últimos meses não perde a chance de aparecer ao lado da presidenta, não participou da reunião de prefeitos das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 com Dilma, na terça-feira. A justificativa dada pelo prefeito foi a realização da C40 na capital paulista. Mas o aviso, segundo governistas, chegou somente no fim da tarde da véspera do encontro.

Contenção

Em meio ao clima de mal-estar, aliados de Kassab empenham-se em negar a crise com o Planalto. Enquanto petistas repetem as queixas em reservado, um tucano ligado ao prefeito investe na versão de que se trata de uma "piada" e afirma que emissários de Dilma teriam inclusive telefonado para Kassab para desmentir qualquer insatisfação da presidenta. Na mesma linha, um secretário do prefeito descreveu como “bobagem” a tese de que haveria um desconforto entre os dois.

Já a prefeitura alega que são "totalmente falsas" as versões sobre a conversa entre Kassab e o presidente do PT e reitera a versão apresentada na semana passada pela Secretaria de Finanças sobre o tema da quebra de sigilo. “Todos os acessos ao ambiente da empresa Projeto no sistema da Nota Fiscal Eletrônica de Serviços, realizados no período de 1º de janeiro de 2010 a 17 de maio de 2011, foram realizados pela própria empresa ou por servidores da Secretaria de Finanças, de forma motivada para realização de procedimentos demandados pelo próprio contribuinte ( retificação de lançamento e pagamento de tributo )”, afirmou a assessoria de imprensa do prefeito.

    Leia tudo sobre: Dilma rousseffgilberto kassab

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG