Caso Celso Daniel: jurados se reúnem para decidir sentença

Bate-boca entre o promotor e o advogado de defesa marcou a segunda parte do julgamento

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Depois de um intenso bate-boca entre o promotor Francisco Cembranelli e o advogado de defesa Adriano Marreiro, o julgamento do réu Marco Roberto Bispo dos Santos, acusado de participação na morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, entrou finalmente na última fase.

Após as duas horas de explanação que a defesa e a promotoria tiveram para contrapor os argumentos de um e de outro, os sete jurados do caso saíram do plenário para decidir a sentença do primeiro acusado pela morte do ex-prefeito de Santo André. Os jurados deverão responder a seis perguntas que definirão a condenação do réu ou sua absolvição. As perguntas determinarão o grau da pena e se o crime foi qualificado ou não, com uso de agravantes.

A sentença será lida pelo juiz Antonio Hristov, que determinará quantos anos de pena e o regime em que o réu deverá cumprir a sentença, caso seja condenado.

Bate-boca

As chamadas “réplicas” entre advogado de defesa e promotoria foram marcadas por um intenso debate e várias trocas de acusações entre os dois. O momento mais tenso do julgamento aconteceu durante a fala do advogado de defesa, que contestou a versão do promotor sobre a inexistência de tortura na sede do DHPP, onde Bispo teria confessado participação no crime para a Polícia Civil.

Na versão do promotor, o fato de não haver um procedimento de investigação contra os policiais que realizaram a tortura significa que o juiz da época não aceitou a versão da defesa. O advogado Marreiro, porém, exibiu um pedido de investigação expedido pelo juiz da época, exigindo a apuração da denúncia dos réus.

Cembranelli interrompeu a explanação da defesa para contestar a inexistência de inquérito no processo. O advogado, por sua vez, disse que era responsabilidade do MP apurar o porquê da investigação não ter sido realizada, iniciando um bate-boca sobre responsabilidade.

“Não queira ganhar no grito, doutor. O senhor é brilhante, mas não tem prova e quer ganhar no grito”, disse Marreiro. “Meu cliente já entrou condenado pela imprensa e pelo promotor. Não admito engolir uma condenação sem provas”, completou o defensor, que argumentou ainda que o réu do processo “foi colocado como laranja na história, para abafar um caso de crime político”.

“Você nem fica vermelho de não provar que houve realmente tortura”, atacou o promotor. “O senhor condena os policiais (de tortura) sem provas”, completou. Devido ao intenso bate-boca, o advogado de defesa nem fez o uso completo do tempo de análise que tinha por direito.

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