Caso Celso Daniel: defesa diz que vai recorrer da decisão do júri

Advogado também atribuiu a sentença do júri ao 'ibope alto' do promotor, que atuou no caso Isabela Nardoni

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A defesa do réu Marcos Roberto Bispo dos Santos, condenado a 18 anos de prisão pelo assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel, afirmou, logo após o fim do julgamento, que vai recorrer da sentença no Tribunal de Justiça de São Paulo.

O advogado de defesa, Adriano Marreiro dos Santos, também atribuiu a sentença do júri ao “Ibope alto” do promotor Francisco Cembranelli, que ganhou notoriedade após atuar no caso Isabela Nardoni. “O dr. Cembranelli é hoje um dos melhores promotores do Estado, está com o Ibope alto, né? O Ministério Público precisava ganhar esse júri e escalou a tropa de choque dele contra os soldados rasos da comarca de Itapecerica. Se fosse outra situação, meu cliente teria sido absolvido ou o MP teria pedido a absolvição dele por falta de provas”, afirmou Marreiro.

Bispo tem a prisão preventiva decretada desde sexta-feira (12) por não ter sido encontrado no endereço que informou à Justiça para receber a intimação de comparecimento ao julgamento desta quinta. A defesa entendeu, porém, que o fato do acusado não ter sido convocado formalmente para o julgamento inviabiliza todo o julgamento. O advogado do réu afirmou também que o cliente dele foi condenado sem provas concretas de participação no crime.

Mesmo depois do final do julgamento, a defesa insistiu na tese de que a única prova contra Bispo é uma confissão obtida sob tortura na sede do DHPP (Departamento de Homicíodos e Proteção à Pessoa), no momento da prisão do acusado, em 2002. “Foi uma confissão maculada, obtida sob tortura e que não foi investigada devidamente pelas autoridades”, disse Marreiro.

Por não ter comparecido ao julgamento, Marquinhos é considerado foragido da Justiça. Segundo a defesa, ele já cumpriu oito anos de prisão preventiva e não compareceu à audiência também por medo de ser preso sem a chance de defesa. Se decidir se entregar, o réu terá que cumprir o restante da pena em regime fechado.

Bate-boca

O julgamento do primeiro acusado pela morte de Celso Daniel foi relativamente rápido. Começou por volta das 10 horas e a veredicto foi lido às 17h20. Em virtude da falta de testemunhas de ambas as partes, os debates entre defesa e acusação começaram logo depois que o juiz do caso o relatório do crime. Apesar da rapidez, os debates entre defesa e acusação foram muito acalorados e houve muitos bate-bocas no plenário até a decisão final dos jurados.

O bate-boca foi ocasionado justamente pela tentativa da defesa de desqualificar a confissão do acusado, obtida pela Polícia Civil durante as investigações do caso, em 2002. Na versão do promotor, a tortura na sede do DHPP não era real e não foi levada a sério pelas autoridades do MP e pelo juiz que acompanhavam o caso.

As indiretas sobre o status de "celecridade" que o promotor Cembranelli obteve após o julgamento dos Nardoni também permearam todo o debate. Do início ao fim dos debates, os três defensores de Marcos Roberto Bispo dos Santos fizeram referências ao caso Isabela, elogiando e, as vezes, ironizando a atuação do promotor.

Apesar do acalorado debate, o veredicto foi lido pelo juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1ª Vara de Itapecerica da Serra, por volta das 17h20, determinando a pena de 18 anos de prisão ao acusado. Ao proferir a sentença, os jurados entenderam que o crime foi praticado por motivo torpe, em virtude de recompensa e com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, qualificadoras que aumentaram a pena mínima de 12 para 18 anos.

O júri desta quinta-feira pode ser decisivo para os demais acusados pelo crime. Além de Marcos Roberto Bispo dos Santos, outros seis acusados ainda vão a julgamento nos próximos meses. O juiz de Itapecerica da Serra que acompanha o caso disse que não é possível precisar quando se darão esses julgamentos. Entretanto, os prazos do Tribunal de Justiça indicam que os outros acusados só deverão ir a júri em 2012.

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