Caso Celso Daniel: defesa diz que réu confessou sob tortura

Advogado de Marcos Roberto Bispo dos Santos afirma que ele foi torturado para confessar participação no crime

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

No julgamento iniciado hoje do assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, a defesa do réu Marcos Roberto Bispo dos Santos contestou que ele teria confessado participação no crime. A confissão consta do inquérito que apura o seqüestro e morte de Celso Daniel, mas segundo o advogado de defesa Adriano Marreiro dos Santos, ela teria sido obtida pela Polícia Civil em situação de agressão e tortura. Por isso, argumenta a defesa, a confissão não tem validade no inquérito.

“A Polícia Civil, na época do inquérito, precisava achar um culpado para o crime. Por isso, obrigou o acusado a confessar participação no episódio”, disse Marreiro. Esse foi o principal argumento usado pelo advogado durante sua explanação na primeira parte do júri que acontece em Itapecerica da Serra (SP).

Com três advogados, a defesa buscou desconstruir os depoimentos de outros acusados pelo crime, que também falaram à Polícia Civil que o réu Marcos Roberto Bispo dos Santos teria sido o motorista da Blazer que transportou Celso Danial na noite do crime, em 18 de janeiro de 2002.

A defesa também citou a participação do ex-deputado petista Luís Eduardo Greenhalgh, que teria ajudado a coagir o réu a fazer a confissão. No processo, segundo a defesa, há relatos de que o ex-deputado, que na época atuava como advogado do PT, também teria agredido Marcos Roberto Bispo dos Santos.

A defesa ainda afirmou que o delegado Armando Costa Oliveira, que presidiu as investigações e colheu os depoimentos, estaria sendo investigado pelo Ministério Público por suspeita de enriquecimento ilícito, o que confirmaria a suspeita de coação.

A explanação dos advogados, que durou uma hora e quarenta minutos, foi muito tensa, chegando a haver bate boca entre um dos defensores e o promotor Francisco Cembranelli.

Em seguida às argumentações dos advogados de defesa, o juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov decretou intervalo de uma hora para o almoço. No retorno, depois das 15 horas, a defesa e a promotoria têm direito a uma hora cada um para réplica e tréplica de argumentos. Foi o promotor quem iniciou a segunda parte do julgamento com sua réplica.

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