Cardozo diz que teria imóvel como de Palocci se tivesse dinheiro

Ministro da Justiça ironiza fato de ser dono de consultoria e diz que considera legítimas receitas do chefe da Casa Civil

iG São Paulo |

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou nesta quinta-feira a existência de algum tipo de investigação na Polícia Federal envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, ou sua empresa, a Projeto. Carodozo, que saiu em defesa do colega de Esplanada ao falar na Comissão de Segurança da Câmara, ironizou o fato de também ser dono de uma empresa e disse que não ganhou dinheiro com consultoria, embora considere a receita legítima.

Se tivesse tal receita, disse o ministro, talvez tivesse adquirido um apartamento como o que a companhia de Palocci comprou por R$ 6,6 milhões. "Se eu tivesse ganhos legítimos como acredito que foram os do ministro Palocci, não haveria nenhum problema. Mas infelizmente não tive esses ganhos. Eu talvez também, se tivesse ( ganhos ), teria comprado um apartamento como o do ministro", afirmou, em referência ao apartamento de R$ 6,6 milhões comprado em nome da empresa de Palocci. Segundo Cardozo, não é criminoso nem ilegal ter uma empresa de consultoria.

O ministro da Justiça está entre os cinco ministros, além de Palocci, que possuem empresas paralelamente à atividade ministerial. Cardozo disse que a companhia foi criada em 1997, em sociedade com o pai, quando era vereador em São Paulo, exclusivamente para dar aulas, palestras e seminários. E afirmou que nem ele e nem o pai prestaram serviços de consultoria.

Cardozo comentou ainda a notícia de que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, teria incluído a Projeto, empresa de Palocci, em um relatório encaminhado à Polícia Federal. O conselho, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo , teria identificado uma operação financeira suspeita na qual a Projeto teria adquirido um imóvel de outra companhia, que é alvo de uma investigação. A reportagem, entretanto, não citou a Projeto como alvo principal da investigação, mas sim a empresa da qual a consultoria de Palocci teria comprado um imóvel. O ministro da Justiça destacou que, se houvesse algum tipo de suspeita sobre Palocci, não caberia à PF investigar, porque o ministro tem foro privilegiado.

Agência Câmara
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que não poderia comentar, caso existesse um processo contra Palocci
"Não foi pedida nem dada qualquer informação espontânea do ministro Palocci ao Coaf ( Conselho de Atividades Financeiras ). O que sei é que o ministro Palocci não está sendo investigado nem sua empresa. Não há atipicidade que justificasse tal investigação contra o ministro Palocci. Mas se houvesse ( alguma investigação ) eu não poderia comentar, porque se trata de dados protegidos por sigilo bancário e eu não poderia cometer uma ilegalidade", afirmou Cardozo, ao responder ao deputado Fernando Francischini (PMDB-PR) sobre reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo .

"Não há nem houve qualquer pedido sobre movimentações atípicas do ministro Palocci ou de sua empresas", repetiu o ministro. "Ele ( Palocci ) é meu amigo, companheiro de partido a quem eu prezo muito, mas se tivesse algo criminoso que o desabonasse eu não o pouparia, como jamais poupei quem comete irregularidades", afirmou.

*Com informações da Agência Estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG