Candidatos se desgastam no 1º mês de campanha

Dilma, Serra e Marina cancelam atividades e viagens por causa de gripe e cansaço. Faz apenas um mês que pré-campanha começou

Adriano Ceolin e Andréia Sadi, iG Brasília |

A antecipação do calendário eleitoral pelos lançamentos das pré-campanhas já provocou os primeiros sintomas de desgaste físico dos candidatos à Presidência da República. Nas últimas duas semanas, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) alegaram gripes, dores de garganta e cansaço resultantes da intensa maratona eleitoral. Os três tiveram de alterar a agenda ou mudar sua rotina por conta do excesso de viagens, entrevistas e gravações.

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Os pré-candidatos à Presidência durante encontro em MG

Com 68 anos, Serra é o candidato mais velho e foi o primeiro a reclamar de dores de garganta. Durante entrevista à Rede Amazônica, ele teve de fazer exercícios com a voz para responder às perguntas. A entrevista foi gravada no dia 23 de abril, apenas 13 dias após o lançamento de sua pré-campanha. Nesta sexta, o tucano resolveu cancelar uma viagem a Goiás alegando cansaço. A decisão foi tomada por volta do meio-dia de quinta, na véspera

Serra telefonou para o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que havia convidado o colega de partido para o lançamento de sua candidatura ao governo de Goiás. No caso, além do cansaço, pesou o fato de o DEM ainda não ter fechado acordo com Marconi no Estado.

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Serra concede entrevista à RBS no Rio Grande do Sul
O estilo de vida Serra também acaba provocando desgaste. Ele costuma trabalhar até tarde. Muitas vezes suas atividades se estendem madrugada adentro. Antes de participar de qualquer viagem ou entrevista, gosta de se preparar muito. Lê relatórios extensos sobre a região ou cidade que irá visitar e informa-se sobre os políticos com quem irá se encontrar.

O tucano também tem um costume antigo de telefonar para assessores e políticos durante a madrugada. Este ano chegou a conceder entrevistas a jornais e revistas depois da meia-noite. Na véspera do lançamento de sua pré-candidatura, foi aconselhado por amigos a não ficar revisando seu discurso durante madrugada para não aparecer com olheiras no evento.

No livro “Sonhador Que Faz”, publicado em 2002, Serra admite que tem mau humor pelas manhãs. “O meu humor em geral melhora ao longo do dia. O ponto melhor é quando a luz do dia começa a ir embora. Eu dava aulas melhores à tarde do que de manhã e melhores à noite do que à tarde”, disse ao jornalista Teodomiro Braga, responsável pela série de entrevistas que formam o livro.

Apesar de ser notívago, Serra sempre tomou cuidados com a saúde. Já foi até chamado de hipocondríaco. Anda sempre com um álcool gel no bolso para limpar as mãos e conhece como poucos remédios e receitas. Quando pode, não deixa de aconselhar a alguém sobre algum medicamento. A passagem pelo Ministério da Saúde, entre 1997 e 2002, também ampliou seus conhecimentos.

Na quinta-feira, durante o debate promovido pela BandNews em Belo Horizonte, Serra receitou um remédio para pingar no nariz e um spray para a garganta para a adversária Marina Silva (PV), que estava rouca e gripado. Ela também cancelou uma agenda nesta sexta-feira por conta de uma gripe forte. Deixou de ir ao Rio Grande do Sul para passar por uma consulta médica em São Paulo.

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Marina Silva, após encontro com usineiros na região de Ribeirão Preto, interior paulista
Com 52 anos, Marina é a mais jovem entre os candidatos a presidente, mas é também a mais frágil. Ela quase morreu quando teve diagnosticada de forma errada uma malária. Marina tinha 15 anos e, na verdade, estava com hepatite. Ela chegou a ser desenganada pelos médicos, principalmente porque morava no interior do Acre, era pobre e não tinha condições de bom atendimento.

Marina teve, ao todo, cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. Por conta das doenças, passou a adotar uma alimentação regrada. Não come carne vermelha, derivados do leite e, principalmente, comidas com excesso de conservantes.

Nesta pré-campanha, Marina não tem o mesmo conforto que Serra e Dilma nas viagens. Ela não usa jatos fretados e tem de enfrentar os cansativos voos de carreira. Raras são as vezes em que se dá ao luxo de um avião particular. Antes de uma viagem a Cuiabá no mês passado, estava com dores na coluna, por isso a equipe de campanha decidiu alugar um jatinho.

Novata em corridas eleitorais, Dilma, 62 anos, enfrenta uma maratona de, em média, cinco viagens por semana pelo país. Na maioria das vezes, são visitas a Estados no esquema bate e volta - deslocamentos com retorno no mesmo dia.

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Dilma Rousseff e o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, comem pastéis em bar
No último dia 27, o site da candidata anunciou a estreia do “Fala Dilma”, entrevista que seria disponibilizada de segunda a sexta-feira. Nas entrevistas, Dilma falaria sempre de um tema importante da agenda nacional.

Mas, devido a problemas de agenda de Dilma, o projeto não tem atualizações. O motivo: Dilma está com agenda intensa e enfrenta problemas de voz. Em diversos eventos, a candidata já chegou a evitar a imprensa por causa de rouquidão.

Além das viagens, Dilma treinamento para falar com a imprensa (mediatraining), preparado pela equipe de marketing e gravações de improviso, como a que aconteceu na semana passada.

Sem agendamento prévio, o marqueteiro da campanha, João Santana, levou a candidata a Minas Gerais, onde nasceu, para gravar imagens que serão veiculadas na propaganda do PT previstas para ir ao ar no dia 13.

Outro motivo para a petista diminuir o ritmo foram os reflexos das sessões de quimioterapia a que ela se submeteu no ano passado, quando descobriu após ter descoberto, no mês de abril, um câncer no sistema linfático. Foi obrigada, mesmo a contragosto, a diminuir o ritmo de viagens e de trabalho ainda na Casa Civil.

Desde quando chegou a Brasília, Dilma perdeu 10 quilos. Para manter a forma, adequou uma alimentação balanceada à sua rotina no ministério. Além disso, costumava caminhar todos os dias e fazia aulas de pilates.

Com a agenda atropelada pela pré-campanha, Dilma diminuiu o ritmo das atividades físicas. A candidata já admitiu, em entrevista a uma rádio no Nordeste, ter engordado 3 quilos desde o começo da pré-campanha.

Rotina típica de campanha, sem alimentação regrada, as visitas a bases eleitorais geralmente exigem refeições “picadas”. Na semana passada, por exemplo, durante visita a Santos, Dilma saboreou um pastel de queijo junto com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e a ex-prefeita Marta Suplicy.

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