Campos Machado compara Barbiere a Jefferson e José Dirceu

Na tentativa de defender deputado da cassação por quebra de decoro, presidente do PTB-SP diz que não há acusação contra Barbiere

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O presidente do PTB-SP, deputado estadual Campos Machado, comparou nesta quinta-feira o deputado Roque Barbiere, também do PTB, ao presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson, autor das denúncias sobre o mensalão. Campos Mcahado fez a comparação na tentativa de defender Barbiere de um possível processo de cassação por falta de decoro parlamentar, como ameaçou o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB) , e outros parlamentares.

Divulgação
Campos Machado: "Já vivi este problema com Roberto Jefferson"
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“Já vivi este problema com Roberto Jefferson. Ele foi cassado não por nenhuma acusação ou prática de crime. Foi por quebra de decoro”, disse Campos Machado.

Na sequência, Machado citou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, ao qual tratou por “meu amigo”, que também teve o mandato de deputado cassado por quebra de decoro. “Qual é a acusação efetiva contra José Dirceu?”, questionou.

Rolo compressor

Deputados participaram hoje da reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para apurar as denúncias de Barbiere. O encontro foi uma demonstração de força do governo do Estado na Assembleia Legislativa de São Paulo. O único requerimento da oposição aprovado foi por para convidar o secretário de Meio Ambiente e pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB).

O deputado Carlos Giannazzi (PSOL) foi proibido de exibir um áudio no qual Bruno Covas diz que um prefeito lhe ofereceu dinheiro em troca de emenda. O secretário é deputado licenciado da Casa.

O Conselho também derrubou a convocação dos ex-secretários Aloysio Nunes (PSDB), atualmente senador, e Luiz Antônio Guimarães Marrey, hoje procurador de Justiça.

No caso de Aloysio, Campos Machado, que liderou a tropa de choque governista na reunião, chegou a provocar gargalhadas quando usou a greve dos Correios como justificativa para que Aloysio não fosse convocado. Segundo Machado, como o Conselho tem até 30 dias para apresentar o relatório, seria inviável convocá-lo. “Correio em greve, quem é que vai pra Brasília? Estou defendendo que a gente tenha agilidade. Ou quem é que acredita que o Brasil vai a Marte no ano que vem?”, questionou.

O deputado Cauê Macris (PSDB) pediu, ainda, vista no requerimento de convocação do ex-secretário de Planejamento Francisco Vidal Luna.

Divulgação de emendas

Campos Machado também provocou indignação da oposição ao pedir vista de um requerimento que solicitava da Casa Civil do governo de São Paulo a relação de todas as emendas liberadas entre janeiro de 2006 e dezembro de 2010. A relação das emendas é o principal pleito da oposição para poder esclarecer qual foi a destinação das verbas.

O deputado Ênio Tatto (PT) argumenta que foi a divulgação das emendas entre janeiro e setembro de 2011 que mostram que parlamentares do PSDB foram beneficiados. Segundo o petista, foram liberados R$ 16 milhões para o PSDB, R$ 9 milhões para o DEM e R$ 3 milhões para o PT, a maior bancada da Assembleia. “Essa divulgação revelou como funciona o esquema de emendas do PSDB”, disse.

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