Câmara dos Deputados reduz marcha durante a Copa do Mundo

Líderes da base e da oposição ouvidos pelo iG prevêem quorum baixo em votações, mas dizem que Casa funciona até o recesso de julho

Fred Raposo, iG Brasília |

A Câmara dos Deputados deve desacelerar o ritmo de trabalho durante a Copa do Mundo. Esta é a avaliação de líderes da base e da oposição ouvidos pelo iG . Os motivos apontados pelos parlamentares são o quorum reduzido nas sessões, devido aos jogos das seleções, e a indefinição das matérias que entrarão na pauta de votação das próximas semanas.

O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), rejeita a ideia de antecipar o recesso, como queriam alguns deputados. Ele admite que o quorum da Casa em junho será mais baixo que o comum, mas nega que seja por causa da Copa. "Claro que no mês de junho o quorum é menor, mas não por causa da Copa do Mundo. Nunca foi assim. Tem as convenções partidárias, entre outras coisas".

Em dias de partidas do Brasil, analisam os líderes, os horários das sessões devem ser empurrados para a noite. O líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC), destaca que os jogos do Brasil na Copa "têm horário para começar e para terminar". "Acredito que o presidente (Michel Temer) deva convocar reunião extraordinária à noite em dias de partidas da seleção. Tem que ter reunião, se for antes ou depois tanto faz. Já o quorum é da consciência de cada deputado".

O deputado Dagoberto Nogueira (MS), líder do PDT, faz coro: "Vamos assistir ao jogo em um determinado horário e votar em outro. Ninguém vai ficar ferido por causa disso". Além da votação das cinco Medidas Provisórias que trancam a pauta, Dagoberto assinala que não houve acordo quanto às propostas que devem formar uma agenda mínima de votações.

Em reunião com líderes partidários nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), acordou em apresentar uma relação de propostas, definidas conforme a representatividade de cada partido, para irem a Plenário. A lista será apresentada por Temer em novo encontro com os líderes, que deve ser realizado nos próximos dias.

Entre as prioridades, a regulamentação da Emenda 29, que destina mais recursos para a Saúde, a PEC 300, que define piso salarial para policiais e bombeiros, e os projetos do pré-sal, que a base governista no Senado tenta aprovar esta semana, para em seguida voltar à Câmara.

O líder do PP, João Pizzolatti (SC), calcula que a votação da PEC 300 será uma das primeiras matérias a ir a Plenário. "Essa é a proposta de maior pressão na Casa, tem que ser resolvida", diz. "Ainda precisa de algumas correções, mas acredito que estamos próximos de um entendimento. Se fecharmos acordo, não vejo porque não votá-la".

O deputado João Almeida (BA), líder do PSDB, fala em "ajustes de calendário em função dos jogos". Porém, reforça que a presença dos parlamentares nas sessões vai variar de acordo com o interesse dos partidos nas matérias em votação. "Depois que definirem as matérias (que entrarão na pauta), os interessados vão se mobilizar. Fica mais fácil".

Os deputados são unânimes em afirmar, no entanto, que o trabalho na Casa será ininterrupto até o início do recesso parlamentar, em 17 de julho. "Há vários projetos na pauta. Os que derem para votar, nós vamos votar", crava o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP). No mês passado, o deputado polemizou ao anunciar que iria propor aos demais líderes um acordo para antecipar o "recesso branco" pra 10 de junho - véspera da abertura da Copa.

"A proposta que fiz era de concentrar todas as votações até Copa do Mundo, mas não conseguimos", esclarece o líder governista, acrescentando que deve assistir à partida de estréia do Brasil, na próxima terça-feira, de seu gabinete. "Pedi para fazerem sessão extraordinária no dia do jogo. Já ia assistir daqui mesmo".

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