Câmara dos Deputados aprova reajuste do mínimo de R$ 545

Governo Dilma derrota emendas do PSDB e do DEM, de R$ 600 e R$ 560, respectivamente, e garante vitória em seu primeiro teste

iG São Paulo |

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira o projeto de lei 382/11, que reajusta o salário mínimo para o valor de R$ 545, proposto pelo governo. A emenda do PSDB de aumento para R$ 600 foi rejeitada por 376 votos contra, 106 a favor e 7 abstenções. Logo depois, os deputados apreciaram a emenda do DEM que pedia o aumento do mínimo para R$ 560. A emenda do DEM foi rejeitada por 361 votos contra, 120 a favor e 11 abstenções. A proposta, agora, segue para o Senado .

A votação dá um desfecho a meses de negociação intensa entre o Planalto, partidos da base aliada e da oposição, marcando o primeiro teste - e a primeira vitória - do governo da presidenta Dilma Rousseff no Congresso. Para garantir o apoio da base, o Planalto investiu no rateio de cargos do segundo escalão e no aviso de que não vai tolerar divergências

A sessão teve início às 13h50 de quarta-feira e terminou na madrugada desta quinta-feira. Inicialmente, a expectativa era de que a matéria iria a votação somente às 19hs, mas a aprovação do regime de urgência ontem permitiu que a tramitação fosse acelerada. Com isso, o projeto não precisou, por exemplo, tramitar pelas comissões da Casa.

Projeto de lei

Relator do projeto de lei do governo, o deputado Vicentinho (PT-SP) leu por cerca de 50 minutos o relatório favorável aos R$ 545. Ele foi vaiado e aplaudido pelos manifestantes que acompanham a votação em Brasília. Em sua fala, Vicentinho minimizou as divergências e exaltou a política de valorização do mínimo aplicada pelo Planalto. "Em que pese as divergências, uma coisa tem que ficar muito clara nesse diálogo agora: é graças às centrais sindicais deste País, à sensibilidade do presidente Lula e da presidenta Dilma que chegamos a este patamar de diálogo e construção do salário mínimo", disse o deputado. "Eu acredito no governo da presidenta Dilma e o povo brasileiro também".

Vicentinho defendeu um entendimento entre sindicalistas e o governo federal, para que a política de valorização do mínimo seja consistente e os acordos sejam respeitados. "Por favor, na hora em que fizermos um acordo vale a pena a gente cumprir", disse o deputado. "Se mantidas as taxas de crescimento esperadas essas novas regras de reajuste do salário mínimo assegurarão um crescimento real de 30% ao longo dos próximos cinco anos".

O deputado Roberto Freire (PPS-SP) contestou a constitucionalidade do artigo 3º do projeto de lei apresentado por Vicentinho. De acordo com o artigo, o reajuste do salário mínimo seria realizado por decreto presidencial, e não passaria pela consulta do Congresso. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) também contestou o artigo e chamou de "golpe" da base governista. O deputado Rodrigo Garcia (DEM-SP) afirmou que o artigo 3º é um "artifício regimental perigoso para esta Casa" usado pelo governo. O pedido foi analisado pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que indeferiu o recurso. Vicentinho chegou a aterar o teor do texto do artigo 3º com uma emenda que define que os reajustes e aumentos seriam estabelecidos "nos termos desta lei", mas manteve "por meio de decreto do presidente da República". O PPS protocolou  um pedido de alteração do texto, que foi votado e rejeitado.

AE
Na Câmara, deputados discutem projeto de lei do novo mínimo

Protestos

O deputado Dr. Paulo César (PR-RJ) foi vaiado pelos manifestantes que acompanham a votação nas galerias da Câmara, em sua maioria integrantes de movimentos sindiciais. Ao defender a proposta do governo, Paulo César elogiou a política de valorização do salário mínimo e afirmou que, graças a isso, "todo trabalhador pode ter seu telefone celular, seu computador, sua televisão de plasma". Os manifestantes, então, se levantaram e, de costas, gesticularam para que o deputado parasse de falar. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), pediu que a plateia não se manifestasse com vaias em respeito ao deputado. Ao microfone, o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) solicitou que os deputados não fossem vaiados, mas incentivou que continuassem de costas para o parlamentar.

O deputado Rogério Martinho (PSDB-RN) retomou a fala de Paulo César e afirmou que "é verdade que o povo pode ter celular e TV de plasma", mas defendeu ser fruto das privatizações feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Martinho se inscreveu para falar na Câmara a favor do projeto de lei de reajuste do mínimo, embora seu partido seja contrário ao valor proposto pelo governo. Como pelo acordo firmado falariam 20 deputados contrários e 20 a favor, o presidente da Casa ampliou a lista, incluiu mais um nome favorável ao valor proposto pelo governo para, assim, manter a igualdade de tempo destinado às argumentações.

Agência Estado
Manifestantes ligados a centrais sindicais protestam na Câmara durante votação do novo mínimo

Alfinetadas

O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), defendeu um aumento para R$ 600. Embora o número tenha se tornado uma das bandeiras da última campanha presidencial tucana, o candidato derrotado ao Planalto, José Serra, não foi mencionado durante as discussões. O nome de Serra foi lembrado somente durante a votação pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) e pelo deputado Mendes Thame (PSDB-SP). Em sua fala, Nogueira chegou a confundir a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . "A presidente Lula promoveu uma perda do poder aquisitivo", disse. Em seguida, alfinetou. "A confusão é porque o governo é o mesmo".

O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), defendeu um mínimo de R$ 560 e aproveitou para provocar a base governista. "Apoiar o mínimo de R$ 545 é uma grave e injustificada incoerência. Quando estavam na oposição, reivindicavam um aumento digno para o trabalhador. Chegaram ao governo e se renderam, abaixaram a cabeça e dizem amém a uma ordem soberana da presidenta Dilma Rousseff", afirmou. ACM Neto também lembrou que o governo estuda a compra de caças e insinuou que esse dinheiro poderia ser usado para conceder um mínimo maior.

Já líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), alfinetou o PSDB. "De onde vêm esses números se alguns cardeais do partido não os sustentam diante da opinião pública?". O deputado se referia a entrevistas concedidas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que evitaram nesta semana defender a proposta de José Serra de R$ 600.

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