Brigas de CPIs inviabilizam investigação sobre Cachoeira em Goiás

Oposição quer apurar relação do bicheiro com deputados por meio da segurança; base quer analisar contratos suspeitos com prefeituras

Wilson Lima, iG Brasília |

Carlos Costa - Ascom - AL/GO
Deputados de Goiás ainda não conseguiram um acordo para investigar influência de Carlinhos Cachoeira no Estado

Se em Brasília foi instituída uma CPI mista para apurar as relações entre o empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira com parlamentares, em Goiás, uma briga entre a base do governo Marconi Perillo (PSDB) na Assembleia Legislativa e a oposição, vem inviabilizando o início de investigação para apurar a influência política do bicheiro no Estado.

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Na casa, existem dois pedidos de CPI relacionados ao caso Carlinhos Cachoeira. Uma proposta por partidos como PT e PMDB que quer apurar a influência política do bicheiro, por meio do controle que ele exercia tanto na Polícia Civil, quanto na Militar. A outra é da base aliada, que pretende apurar os contratos entre as empresas do grupo de Cachoeira com prefeituras de todo o Estado.

A CPI pemedebista/petista tem 13 assinaturas. Falta apenas uma para ela ser instalada mas a oposição a Perillo precisa de apoio da base para iniciar a investigação. O deputado Luís César Bueno (PT) disse que três deputados governistas se comprometeram em assinar o documento. Nenhum oficializou apoio à CPI.

Além disso, a base do governo Perillo também tenta inviabilizar, ou pelo menos atrasar, a instalação desta CPI. Nesta terça-feira (10), por exemplo, a base governista suspendeu a sessão da Assembleia para discutir projetos nas Comissões Mista e de Constituição e Justiça, alegando ter 48 projetos de lei na fila.

Na prática, nenhum foi analisado. A oposição esvaziou as comissões como forma de protesto. “Eles estão fazendo jogo para atrasar a CPI”, disse o deputado estadual Mauro Ruben (PT). “Nós não estamos vetando CPI, é apenas impressão”, rebateu o líder da base do governo na Assembleia, Helder Valin (PSDB).

A outra CPI proposta pela base aliada de Perillo tem dez assinaturas. Mas ela não é consenso nem entre a base do governo. Os oposicionistas também não estão dispostos a assinar a investigação. Alegam desvio de foco. Do outro lado, partidos como PSDB e DEM alegam que a oposição a Perillo não quer que prefeitos do PT e PMDB sejam atingidos pela investigação.

O inquérito da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Monte Carlo mostrou que o grupo de Carlinhos Cachoeira conseguiu ou tentava se infiltrar em vários órgãos do governo goiano. Cachoeira tinha o controle de alguns membros da Polícia Civil e Militar e também prospectava nomeações de aliados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás.

Oficialmente, o governador Marconi Perillo nega qualquer influência de Cachoeira na estrutura estatal em Goiás, conforme entrevista concedida ao iG . “O que se aponta até agora são ações pontuais de influência não só no Estado como em estruturas federais. Não há envolvimento do aparato estatal em Goiás com o crime ou contravenção. Isso eu não permito nem permitirei”, disse Perillo.

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