Presidenta participou em Porto Alegre do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas evita temas polêmicos

Na primeira visita oficial ao Rio Grande do Sul - seu berço político - desde que tomou posse, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o Brasil não vai compactuar com violação de direitos humanos “em qualquer país”. Dilma participou de uma cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto nesta quinta-feira, em Porto Alegre. Sem citar um país específico, mesmo provocada em relação ao Irã, ela disse que seu governo defenderá “a paz e a conciliação”.

Em um discurso lido, a presidenta evitou fazer qualquer referência sobre temas polêmicos. Antes de sua fala, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, se referiu especificamente ao caso Irã, do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mencionando a negação do Holocausto e a pena de morte por apedrejamento de uma cidadã acusada de adultério.

Dilma, em sua esplanação, se limitou a dizer que "é nosso dever não compactuar com nenhuma forma de violação dos direitos humanos em qualquer país, aí incluído o nosso”. “Meu governo prefere sempre as múltiplas vozes da democracia ao silêncio das ditaduras e dos campos de concentração”, completou.

O evento foi prestigiado por autoridades religiosas, quatro ministros do governo federal, políticos locais e de outros Estados, como o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Em seu discurso, Dilma lembrou a participação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas que criou o Estado de Israel, “direito que não pode ser negado a nenhum povo”, e reafirmou sua defesa aos direitos humanos.

“O meu governo será um incansável defensor dos valores da igualdade, da dignidade humana e do respeito aos direitos humanos. A nação brasileira respeita os princípios da paz e da conciliação”, declarou.

O evento, organizado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), aconteceu pela primeira vez em Porto Alegre, cidade que instituiu o ensino obrigatório do Holocausto na rede escolar a partir de 2011. A data foi criada há seis anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), marcando o dia em que as tropas soviéticas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, em 1945.

A solenidade terminou por volta das 21h40, pouco mais de uma hora antes da chegada da presidenta. Ela passa a noite em sua residência particular, na capital gaúcha, e pela manhã deve participar de uma audiência com o governador Tarso Genro (PT-RS) e com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para tratar de ações de combate à estiagem no Rio Grande do Sul.

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