'Brasil não vai compactuar com violações', diz Dilma

Presidenta participou em Porto Alegre do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas evita temas polêmicos

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Na primeira visita oficial ao Rio Grande do Sul - seu berço político - desde que tomou posse, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o Brasil não vai compactuar com violação de direitos humanos “em qualquer país”. Dilma participou de uma cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto nesta quinta-feira, em Porto Alegre. Sem citar um país específico, mesmo provocada em relação ao Irã, ela disse que seu governo defenderá “a paz e a conciliação”.

Em um discurso lido, a presidenta evitou fazer qualquer referência sobre temas polêmicos. Antes de sua fala, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, se referiu especificamente ao caso Irã, do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mencionando a negação do Holocausto e a pena de morte por apedrejamento de uma cidadã acusada de adultério.

Dilma, em sua esplanação, se limitou a dizer que "é nosso dever não compactuar com nenhuma forma de violação dos direitos humanos em qualquer país, aí incluído o nosso”. “Meu governo prefere sempre as múltiplas vozes da democracia ao silêncio das ditaduras e dos campos de concentração”, completou.

O evento foi prestigiado por autoridades religiosas, quatro ministros do governo federal, políticos locais e de outros Estados, como o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Em seu discurso, Dilma lembrou a participação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas que criou o Estado de Israel, “direito que não pode ser negado a nenhum povo”, e reafirmou sua defesa aos direitos humanos.

“O meu governo será um incansável defensor dos valores da igualdade, da dignidade humana e do respeito aos direitos humanos. A nação brasileira respeita os princípios da paz e da conciliação”, declarou.

O evento, organizado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), aconteceu pela primeira vez em Porto Alegre, cidade que instituiu o ensino obrigatório do Holocausto na rede escolar a partir de 2011. A data foi criada há seis anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), marcando o dia em que as tropas soviéticas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, em 1945.

A solenidade terminou por volta das 21h40, pouco mais de uma hora antes da chegada da presidenta. Ela passa a noite em sua residência particular, na capital gaúcha, e pela manhã deve participar de uma audiência com o governador Tarso Genro (PT-RS) e com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para tratar de ações de combate à estiagem no Rio Grande do Sul.

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