Brasil minimiza polêmica com a Itália por caso Battisti

Cardozo diz não ver risco de retaliação; Marco Aurélio diz que haverá 'pequeno constrangimento, por um período brevíssimo'

Severino Motta, iG Brasília, e Thais Arbex, enviada a Brasília |

No primeiro dia da presidenta Dilma Rousseff no cargo, representantes do governo brasileiro procuraram minimizar a polêmica aberta na relação diplomática entre o Brasil e a Itália, em decorrência da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder refúgio ao ex-ativista Cesare Battisti. Embora a Itália venha indicando que poderá retaliar o Brasil em função da decisão, a ordem no governo é investir na tese de que o problema não passa de um “pequeno constrangimento”, que não terá conseqüências maiores.

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Cardozo, que tomou posse hoje, é apadrinhado de Tarso Genro, autor da primeira decisão de refugiar Battisti
Ao tomar posse como o novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo disse não esperar nenhum tipo de retaliação por parte da Itália. “A divergência é normal e não compromete os laços de amizade profundos entre dois países irmãos”, disse. Cardozo é apadrinhado político do atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, autor da decisão original de dar refúgio a Battisti quando comandava o Ministério da Justiça.

Cardozo disse ainda não acreditar na possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) reverter a decisão  de negar a extradição do ex-ativista. "Após ler o parecer da AGU (Advocacia-Geral da União), substantivo, não tenho a menor dúvida de que a decisão foi correta", disse o ministro. "A meu ver, Lula agiu em consonância com a decisão do STF, amparado em parecer da AGU. Não vejo por que o STF venha no futuro a atacar a decisão do presidente", explicou.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, também aproveitou a cerimônia de posse do novo chanceler Antonio Patriota para comentar o caso. Nossa relação deverá sofrer um pequeno constrangimento durante um período brevíssimo”, amenizou Marco Aurélio, argumentando que a presença do embaixador da Itália no coquetel que comemorou a posse de Dilma na noite de ontem, no Itamaraty, é um indício de que a intenção é caminhar para o diálogo e para a solução diplomática, e não para o confronto.

Em meio à polêmica que cerca o caso Battisti, Dilma passou boa parte deste domingo em encontros bilaterais com chefes de Estado estrangeiros que participaram da posse ontem. Marco Aurélio disse que as reuniões fortaleceram parcerias que já estão em andamento e elogiou desempenho de Dilma. “Fiquei impressionado com a absoluta segurança da presidenta Dilma com temas internacionais”, afirmou.

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Dilma participou de série de encontros bilaterais, assessorada por Patriota e Marco Aurélio
Marco Aurélio disse que os encontros marcaram também contatos importantes de natureza econômica. No caso da Coréia do Sul e do Japão, por exemplo, houve sinalizações relevantes no que se refere à cooperação científica e tecnológica com o Brasil. Ele brincou sobre a agenda carregada no dia seguinte à posse: “Só gostaríamos que tudo tivesse acontecido mais tarde, pois tivemos que acordar muito cedo”, riu.

Sobre o cancelamento do encontro que Dilma teria com Hugo Chávez, Marco Aurélio explicou que o presidente venezuelano pediu para deixar o País mais cedo, por conta das enchentes que atingem seu país. Segundo Marco Aurélio, ele e Dilma já estão negociando a realização de outros encontros.

O assessor adiantou também quais serão os primeiros destinos da agenda internacional de Dilma. No primeiro semestre deste ano, já estão sendo programadas visitas à Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China e Bulgária, este último país onde nasceu o pai da presidenta.

*Com informações da Agência Estado

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