Bernardo recebe pauta de centrais sindicais para salário mínimo

Ministro do Planejamento se reúne com lideranças sindicais, mas defende manutenção de atual critério para reajuste

Piero Locatelli, iG São Paulo |

Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Carlos Eduardo Gabas (Previdência) receberam hoje a reivindicação das seis centrais sindicais para que o salário mínimo suba para R$ 580 a partir do ano que vem.

Os ministros falaram que a intenção do governo é manter o atual critério de reajuste, mas adiantaram que haverá mais rodadas de negociação com as centrais.

Desde 2006, o ajuste do salário mínimo é baseado no PIB de dois anos antes mais a inflação do período. Sendo assim, não haveria aumento real para os trabalhadores em 2011 em razão da crise e da estagnação econômica de 2009. Para o governo, o aumento dos atuais R$ 510 para R$ 540 se refere a 5,25% de reajuste devido à inflação do período.
As centrais pedem que o reajuste deste ano conte com uma excepcionalidade no critério.

Agência Estado
Ministro Paulo Bernardo conversa com Arthur Henrique (CUT)
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, afirma que as centrais querem um aumento “que reflita hoje o bom momento da economia”. Ele diz que o cálculo do salário pedido pelas centrais foi feito a partir da média do crescimento do PIB nos últimos anos. Os sindicatos calculam que o aumento do salário custaria R$ 42 bilhões aos cofres públicos, mas argumentam que estas despesas seriam revertidas por meio do consumo e da arrecadação.

O ministro Paulo Bernardo considera, no entanto, “exato” o modelo acordado com as centrais e defende a manutenção do atual critério. Mesmo assim, novas discussões devem ser feitas na próxima semana para tentar chegar a um acordo. Destes encontros deve estar presente os ministros Luiz Dulci, chefe da secretaria-geral da Presidência, e Carlos Lupi (Trabalho e Emprego).

Antes da próxima reunião, Bernardo deve procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta eleita, Dilma Rousseff. Segundo Bernardo, a decisão deve ser tomada até meados de dezembro.
Participaram da reunião desta quinta-feira representantes da CUT, Força Sindical, Nova Central dos Trabalhadores, UGT, CGTB e CTB.

Além do aumento do salário mínimo, as centrais têm ainda duas outras pautas reivindicatórias a serem discutidas com governo posteriormente: o reajuste das aposentadorias acima do mínimo e mudanças nos descontos no Imposto de Renda de acordo com as faixas salariais.

“A maioria das categorias teve aumento de mais de 8%. E iam passar para outra faixa de cobrança do Imposto de Renda”, diz Miguel Torres, vice-presidente da Força Sindical. Segundo ele, muitos trabalhadores seriam mais taxados se não ocorrer esta mudança.

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