Battisti mostra-se aflito à espera de libertação

iG conversou com pessoas que estiveram com o ex-ativista no presídio da Papuda, em Brasília

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Preso desde 2007 em Brasília, o ex-ativista Cesare Battisti aguarda com "aflição” o desfecho do imbróglio jurídico que pode colocá-lo em liberdade a qualquer momento. Condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas nos anos 1970, Battisti tem acompanhado ansiosamente a repercussão da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lhe conceder status de refugiado político, segundo relato feito ao iG por pessoas que estiveram com o italiano no presídio da Papuda, nos últimos dias.

AP
Battisti diz não conseguir dormir, à espera da decisão do Supremo
Battisti monitorou de perto, por exemplo, notícias sobre manifestações que levaram centenas de pessoas às ruas na Itália, em protesto contra a decisão brasileira de não extraditá-lo – a principal manifestação ocorreu na frente da Embaixada brasileira em Roma.

Desde que Lula determinou a concessão do refúgio, no último dia de 2010, Battisti vive na expectativa de uma possível determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, de conceder um alvará de soltura que o colocaria em liberdade após passar quase quatro anos na prisão.

Battisti acompanha as notícias por rádio e televisão instalados em áreas comuns do presídio. Advogados que estiveram com o italiano contam que ele demonstrou “satisfação” com a decisão do presidente Lula. Contaram ainda que ele tem dificuldades para dormir, enquanto espera que o Supremo se manifeste. Battisti também demonstra desconforto diante dos protestos realizados em seu país contra a sua libertação, embora evite se alongar no assunto.

Por enquanto, Battisti tem manifestado aos interlocutores que não quer falar com a imprensa; o plano seria aguardar até depois que ele for solto. O italiano, que já teve problemas de saúde na prisão – iniciou uma greve de fome em meio à discussão sobre o caso no Supremo, ainda em 2009 –, apresenta hoje quadro estável.

A defesa do italiano acredita que ele será libertado ainda nesta semana, e avalia que não será preciso esperar a volta dos ministros do tribunal do recesso para avaliarem o pedido de soltura, conforme requer o advogado que representa o governo italiano no caso, Nabor Bulhões.

O relator do pedido de extradição no Supremo, ministro Gilmar Mendes, já afirmou que até o final de janeiro, período em que o Judiciário encontra-se em recesso, não deve sair uma decisão sobre o pedido da defesa.

Na terça-feira, Peluso anexou ao processo os pedidos feitos, nesta semana, pelos advogados das duas partes - a defesa de Battisti tenta conseguir a soltura imediata do ativista, enquanto a a Itália quer a impugnação do pedido. Para que os documentos fossem anexados, o processo teve de ser reaberto no Supremo.

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