Governo apresentará proposta de aumento de 7%, mas aliados querem 7,7%. Mesmo sem consenso, MP poderá ser votada até quarta-feira

Isolado por partidos aliados, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccareza (PT-SP), apresentará nesta terça-feira proposta de reajuste de 7% para os aposentados. Na contramão, a base defende aumento de 7,7% - índice considerado impraticável pelo governo. Segundo o deputado, a ideia é votar até quarta-feira a Medida Provisória 475/09, mesmo que não haja consenso.

Relator da MP, Vaccarezza encontrará as lideranças amanhã para tentar chegar a um acordo. Caso não consiga, o deputado diz que manterá o texto original da medida provisória, que prevê reajuste de 6,14%. O entendimento é que, se aprovarem o índice menor, em ano de eleição, os parlamentares se desgastam junto aos aposentados.

O petista não descarta ainda o aumento escalonado - que concede reajuste de 7,7% para aposentados que ganham entre um e três salários mínimos, e de 6,14% para os que recebem acima deste valor. Porém, admite a dificuldade em aprovar a proposta, que encontraria resistência nos ministérios da Fazenda e da Previdência Social.

"Se conseguirmos convencer o governo, vamos no escalonado”, diz Vaccarezza, que se reúne na noite desta segunda-feira com o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para discutir o assunto.

Líderes governistas ouvidos pelo iG justificam o reajuste de 7,7% com base na "demanda das centrais sindicais". "Qualquer índice tem que ser negociado com as centrais sindicais, com a associação de aposentados e com o Senado", diz o líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF). "Ninguém vai conseguir segurar as bancadas. Se o governo aceitar este índice, a proposta será aprovada. Senão, terá que ser rediscutida".

Para o líder do PDT, deputado Dagoberto Nogueira (MS), o reajuste de 7% que o governo pretende apresentar "é muito mais uma ameaça". "Se radicalizarem, vai ser pior para eles", afirma Nogueira, que convocou para esta terça-feira uma reunião com líderes da base para debater o tema.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.