Base cochila e oposição fura blindagem a Bruno Covas em SP

Manobra garante convite para que secretário compareça à Assembleia Legislativa para esclarecer denúncia sobre venda de emendas

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Graças a um cochilo da base governista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o secretário estadual do Meio Ambiente e pré-candidato do PSDB à prefeitura, Bruno Covas, está convidado a esclarecer junto ao Conselho de Ética declarações sobre a existência de um esquema de venda de emendas parlamentares no Legislativo paulista.

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O convite foi aprovado por unanimidade na sessão do dia 6 mas, devido a um acordo entre o presidente do conselho, Helio Nishimoto (PSDB), e o líder tucano, Orlando Morando, ficou combinado que seria feito verbalmente.

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Bruno Covas enviou esclarecimentos por escrito, mas não escapou de novo convite

Na sessão seguinte, dia 11, Covas enviou sua resposta por escrito mas, insatisfeitos, deputados da oposição solicitaram que a decisão fosse comunicada por escrito. Segundo Nishimoto, o convite foi enviado nesta quinta-feira e a presença do secretário é aguardada para a próxima sessão, dia 20. Líderes da base governista ainda tentaram argumentar que seria necessário votar outro requerimento para que o convite fosse válido, mas a sessão já havia sido encerrada.

“Houve um entendimento de que o convite poderia ser feito verbalmente. Isso foi feito. Por isso o secretário mandou os esclarecimentos. Não satisfeito, o conselho solicitou que se enviasse o convite por escrito. Isso também foi feito. Aguardamos a presença do secretário na próxima quinta-feira”, disse Nishimoto ao término da sessão de hoje. Por meio de sua assessoria de imprensa, o secretário informou que ainda não recebeu formalmente o convite.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo , Covas disse ter recebido um prefeito do interior em seu gabinete, quando ainda era deputado estadual, com R$ 5 mil em dinheiro referentes aos 10% de propina pela liberação de uma emenda de R$ 50 mil. Covas teria encaminhado o dinheiro a uma Santa Casa em vez de denunciar o caso a autoridades. Segundo a oposição ele cometeu crime de prevaricação.

Geraldo Alckmin tem uma p... cara de pau.

Além de Bruno Covas, é aguardado o depoimento do deputado Major Olimpio (PDT), que também deu entrevistas sobre um suposto esquema de venda de emendas na Alesp.

Bate-boca

A sessão desta quinta-feira do conselho foi novamente mais marcada por bate-bocas e questões burocráticas do que por esclarecimentos sobre as denúncias deflagradas por uma entrevista do deputado também governista Roque Barbiere (PTB) sobre venda de emendas. Barbiere chegou a ser comparado ao correligionário Roberto Jefferson, autor dasdenúncias sobre o mensalão federal, em 2005, pelo líder do PTB, Campos Machado.

Na sessão desta quinta-feira, o líder do PT, Enio Tatto, disse que o governador, Geraldo Alckmin (PSDB), tem “uma p... de uma cara de pau” quando diz que pretende dar transparência às emendas. Arrependido, Tatto pediu que o palavrão fosse substituído por “foi infeliz” na ata da sessão.

Irritado com as seguidas intervenções de caráter técnico regimental de Campos Machado, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) chamou o colega de “bravateiro” e “populista de quinta categoria”. Machado devolveu chamando o colega de “mau caráter”.

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Enio Tatto investiu em palavrão, mas em seguida baixou o tom
No final da sessão (convocada para terminar a votação da pauta de terça-feira) nenhum requerimento da oposição foi aprovado. O próprio presidente do Conselho de Ética (que votou contra quase todos os pedidos de convocação de secretários, ex-secretários e ex-deputados) se mostrou pessimista.

“O que eu mais preciso é ter uma denúncia contra algum deputado mas até agora não temos nenhuma”, afirmou Nishimoto.

A oposição acusou uma suposta operação abafa do governo e convocou uma manifestação popular para a próxima quinta-feira, na posta da Alesp, quando o conselho voltará a se reunir.

“Existe um esquema de emendas secretas do governo. O que vimos aqui é a aprovação de emendas em troca de votos”, disse Enio Tatto que, no entanto, se recusou a comparar o caso ao mensalão. “Não acredito em mensalão”, justificou o petista.

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