Economista em ascensão política no governo depois de ter assessorado Dilma foi sondado para ocupar diretoria do Banco Central

Sem lugar no primeiro escalão da equipe econômica do governo de Dilma Rousseff, o economista Nelson Barbosa, um dos principais assessores da campanha da presidenta eleita, pode ser promovido no Ministério da Fazenda ou migrar para o Banco Central.

Ele espera deixar a atual secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e avançar até a secretaria-executiva, segundo posto mais importante da pasta de Guido Mantega. Há possibilidade, ainda de que ocupe uma vaga de assessor especial de Dilma no Planalto.

Mantega, porém, temeria que o economista em ascendência política pudesse ofuscar sua imagem e autoridade à frente do ministério. Em meio a essa intriga, o futuro presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou a sondar Barbosa para uma diretoria do BC nos últimos dias.

Barbosa de cara recusou qualquer possibilidade de mudar para o Banco Central, esperando ser levado mesmo à secretaria-executiva do Ministério da Fazenda, com a prevista saída de Nelson Machado do cargo atual.

Apesar de petista de longa data, Machado acabou criando atritos com Dilma quando foi considerado o responsável pela nomeação de Lina Vieira para a Receita Federal. Lina foi estopim de um imbróglio político intrincado para Dilma durante o governo Lula.

Para Barbosa, ser levado ao segundo posto mais importante do Ministério da Fazenda, logo após o ministro Guido Mantega, seria evolução maior do que assumir uma diretoria no BC.

Barbosa é um economista considerado heterodoxo. Como diretor de política econômica, teve muita participação na formação das medidas anticíclicas que ajudaram a reativar a economia brasileira depois do período mais grave da crise de 2008. As medidas foram consideradas por Lula e Dilma como certeiras, mas desonerações e estímulos acabaram por ajudar a afrouxar a política fiscal do governo.

Ao fim do primeiro turno, Barbosa chegou a se licenciar do cargo na Fazenda para se dedicar exclusivamente à campanha de Dilma, a quem ajudou no debate de criação de uma meta informal de buscar o juro real de 2% ao fim do mandato da presidenta eleita.

Nova diretoria no Banco Central

O futuro presidente do BC já decidiu recriar uma nova diretoria do banco, para encaixar economistas próximos à Dilma que ainda estão sem cargos e também trazer alguém do mercado financeiro, conforme determinação da presidenta eleita.

A diretoria a ser recriada é a de estudos especiais, a Diesp, que já abrigou nomes notáveis da política econômica brasileira, como Afonso Bevilaqua, Eduardo Loyo, Mário Torós e o próprio Tombini.

O cargo foi desativado em maio de 2007, mas uma Portaria reativou a área de estudos especiais temporariamente, onde atuou então diretor Mario Mesquita, mas sem que fosse criada uma estrutura organizacional específica para atendê-lo nessa área.

A reativação da diretoria depende de uma decisão do presidente do BC. Com a reativação, pode mudar também a composição do Comitê de Política Monetária (Copom), que ganharia mais um voto, além dos oito atuais – das sete diretorias e do presidente.

Um decreto presidencial que organiza as funções do Banco Central prevê que ele atue com oito diretorias. Ou seja, há respaldo normativo para essa nova cadeira.

Com a criação da nova diretoria, Tombini teria outra vaga para indicar, além da diretoria de Normas, onde atua hoje e que ficará vaga com sua alçada à presidência.

Para a outra vaga em jogo no Banco Central já foi feito contato também com a economista Zeina Latif , que atua há anos no mercado financeiro.

A equipe de transição de Dilma quer um representante do mercado em uma das vagas do BC para contrabalancear com a totalidade de servidores de carreira pública que compõem a diretoria atualmente.

De quebra, a indicação de Zeina para o cargo agradaria também a Dilma por significar mais uma participação feminina no alto escalão do governo federal. Ela seria a primeira mulher a ter assento na diretoria do BC.

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