Barbosa pode ser promovido na Fazenda ou migrar para o BC

Economista em ascensão política no governo depois de ter assessorado Dilma foi sondado para ocupar diretoria do Banco Central

Danilo Fariello e Andréia Sadi, iG Brasília |

Sem lugar no primeiro escalão da equipe econômica do governo de Dilma Rousseff, o economista Nelson Barbosa, um dos principais assessores da campanha da presidenta eleita, pode ser promovido no Ministério da Fazenda ou migrar para o Banco Central.

Ele espera deixar a atual secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e avançar até a secretaria-executiva, segundo posto mais importante da pasta de Guido Mantega. Há possibilidade, ainda de que ocupe uma vaga de assessor especial de Dilma no Planalto.

Mantega, porém, temeria que o economista em ascendência política pudesse ofuscar sua imagem e autoridade à frente do ministério. Em meio a essa intriga, o futuro presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou a sondar Barbosa para uma diretoria do BC nos últimos dias.

Barbosa de cara recusou qualquer possibilidade de mudar para o Banco Central, esperando ser levado mesmo à secretaria-executiva do Ministério da Fazenda, com a prevista saída de Nelson Machado do cargo atual.

Apesar de petista de longa data, Machado acabou criando atritos com Dilma quando foi considerado o responsável pela nomeação de Lina Vieira para a Receita Federal. Lina foi estopim de um imbróglio político intrincado para Dilma durante o governo Lula.

Para Barbosa, ser levado ao segundo posto mais importante do Ministério da Fazenda, logo após o ministro Guido Mantega, seria evolução maior do que assumir uma diretoria no BC.

Barbosa é um economista considerado heterodoxo. Como diretor de política econômica, teve muita participação na formação das medidas anticíclicas que ajudaram a reativar a economia brasileira depois do período mais grave da crise de 2008. As medidas foram consideradas por Lula e Dilma como certeiras, mas desonerações e estímulos acabaram por ajudar a afrouxar a política fiscal do governo.

Ao fim do primeiro turno, Barbosa chegou a se licenciar do cargo na Fazenda para se dedicar exclusivamente à campanha de Dilma, a quem ajudou no debate de criação de uma meta informal de buscar o juro real de 2% ao fim do mandato da presidenta eleita.

Nova diretoria no Banco Central

O futuro presidente do BC já decidiu recriar uma nova diretoria do banco, para encaixar economistas próximos à Dilma que ainda estão sem cargos e também trazer alguém do mercado financeiro, conforme determinação da presidenta eleita.

A diretoria a ser recriada é a de estudos especiais, a Diesp, que já abrigou nomes notáveis da política econômica brasileira, como Afonso Bevilaqua, Eduardo Loyo, Mário Torós e o próprio Tombini.

O cargo foi desativado em maio de 2007, mas uma Portaria reativou a área de estudos especiais temporariamente, onde atuou então diretor Mario Mesquita, mas sem que fosse criada uma estrutura organizacional específica para atendê-lo nessa área.

A reativação da diretoria depende de uma decisão do presidente do BC. Com a reativação, pode mudar também a composição do Comitê de Política Monetária (Copom), que ganharia mais um voto, além dos oito atuais – das sete diretorias e do presidente.

Um decreto presidencial que organiza as funções do Banco Central prevê que ele atue com oito diretorias. Ou seja, há respaldo normativo para essa nova cadeira.

Com a criação da nova diretoria, Tombini teria outra vaga para indicar, além da diretoria de Normas, onde atua hoje e que ficará vaga com sua alçada à presidência.

Para a outra vaga em jogo no Banco Central já foi feito contato também com a economista Zeina Latif , que atua há anos no mercado financeiro.

A equipe de transição de Dilma quer um representante do mercado em uma das vagas do BC para contrabalancear com a totalidade de servidores de carreira pública que compõem a diretoria atualmente.

De quebra, a indicação de Zeina para o cargo agradaria também a Dilma por significar mais uma participação feminina no alto escalão do governo federal. Ela seria a primeira mulher a ter assento na diretoria do BC.

    Leia tudo sobre: bc. transiçãonelson barbosatombinimantegafazenda

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG